A barragem do Perímetro Irrigado Jabiberi, mantido pelo Governo de Sergipe em Tobias Barreto, transbordou pela segunda vez neste ano durante as chuvas moderadas da última semana e permanece em capacidade máxima. A cheia anima os produtores de leite locais, que dependem da irrigação para formação de pastagens e cultivo de forragem.
Entre janeiro e outubro de 2025, o perímetro registrou mais de 3 milhões de litros de leite industrializados no próprio empreendimento, superando toda a produção de 2024, que foi de 2.389.493 litros. O volume gerou R$ 10,6 milhões em renda para a comunidade.
Segurança hídrica garantida
Para a Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), o reservatório cheio assegura irrigação até o próximo inverno. Segundo o diretor de Irrigação da empresa, Júlio Leite, a primeira sangria ocorreu em 21 de maio. As outras quatro barragens administradas pela companhia também atingiram níveis próximos ao máximo e mantêm estabilidade hídrica nos seis perímetros estaduais.
Leite destacou que as equipes realizam monitoramento constante e manutenção das redes de distribuição. No início de outubro, foram concluídos antes do prazo reparos programados nas adutoras de 600 mm e 1.200 mm do perímetro Jacarecica II. Nesta semana, um conserto emergencial na adutora de 800 mm do perímetro Poção da Ribeira, em Itabaiana, restabeleceu o fornecimento de água a 466 irrigantes.
Impacto direto no campo
Presidente da Associação dos Pequenos Criadores do Perímetro Irrigado de Jabiberi, João Sousa Santos mantém 12 vacas em lactação em seu lote e afirma que, em anos anteriores, o nível da barragem costumava baixar no fim de outubro. “Neste ano está vertendo, o que nos dá tranquilidade para irrigar e produzir capim”, comentou.
Com 76 lotes quase totalmente destinados a pastagens irrigadas e forragens de corte, o Jabiberi tem vocação leiteira. Quando convertida em queijo, a produção parcial de 2025 equivale a mais de 321 toneladas do alimento, movimentando R$ 10,6 milhões no município.
Expansão do rebanho e mercado
O apoio técnico da Coderse e a garantia de água contribuíram para o crescimento do plantel leiteiro: de 650 vacas em lactação em 2024 para 1.100 neste ano. Outro incentivo foi a emissão, no início de 2025, do registro no Serviço de Inspeção Estadual (SIE) para o laticínio Serra do Canine, instalado no perímetro. Com a autorização, a empresa passou a comercializar seus produtos em todo o território sergipano, ampliando a demanda pelo leite dos irrigantes.
A expectativa dos produtores é manter o ritmo de produção ao longo de 2025, sustentados pelas reservas hídricas da barragem e pela infraestrutura de irrigação em operação.
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