O peixe-boi-marinho Astro, declarado Patrimônio Natural de Sergipe pela Lei nº 9.732, de 26 de agosto de 2025, voltou a ser atingido por uma embarcação motorizada. O atropelamento ocorreu na manhã de domingo, 1º de janeiro, na Praia do Saco, estuário do rio Real-Piauí, em Estância, litoral sul sergipano. A ocorrência foi confirmada nesta segunda-feira, 2, pela Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA).
Segundo a FMA, colaboradores encontraram o transmissor utilizado no monitoramento de Astro com o cinto cortado e entregaram o equipamento à equipe do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho. Após buscas, os técnicos localizaram o animal e constataram múltiplos cortes profundos nas regiões lateral e dorsal, provocados por hélices de barco. Alguns ferimentos ultrapassam 4 centímetros de profundidade, causando dor intensa e exigindo atendimento veterinário imediato.
Veterinários e especialistas permanecem em campo realizando o tratamento. A estratégia inicial é manter Astro em seu habitat natural, acompanhando a evolução clínica nos próximos dias. O estado de saúde é considerado crítico.
De acordo com o coordenador do projeto, professor doutor João Carlos Gomes Borges, este é o acidente mais grave já registrado com o animal. “São cortes extensos e profundos que desencadearam processo inflamatório e apresentam risco de infecção”, afirmou. O pesquisador ressaltou o desconforto e a dor apresentados pelo peixe-boi.
Astro foi reintroduzido na natureza pelo Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho, executado pela FMA com patrocínio da Petrobras e do Governo Federal, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Mesmo com ações de sensibilização reforçadas durante a alta temporada na Praia do Saco, o novo episódio eleva para mais de 30 o número de colisões sofridas pelo animal ao longo da vida.
Borges alerta que a área do acidente possui navegação intensa, veloz e em águas rasas, cenário que aumenta o risco não apenas para peixes-bois, mas também para tartarugas, golfinhos e banhistas.
Recomendações para navegadores
A FMA orienta condutores de embarcações a redobrar a atenção em áreas de ocorrência do peixe-boi-marinho:
- Observar o entorno antes de ligar o motor e assegurar que não haja animais por perto.
- Reduzir a velocidade ou desligar o motor ao avistar peixes-bois.
- Manter distância mínima de 10 metros e não oferecer alimentos, bebidas ou água.
- Instalar protetores de hélice para diminuir o risco de colisões.
Em casos de animais feridos, encalhados ou em perigo, o contato deve ser feito com a equipe do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho pelo telefone (79) 99130-0016.
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