Foi apresentado nesta segunda-feira (2) o primeiro resultado da cooperação entre a Associação Brasileira de Apoio ao Cultivo e Pesquisa da Cannabis Medicinal (Salvar-SE) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS). O trabalho une a área experimental da entidade com a equipe de professores e alunos do curso de Agroecologia do instituto.
O estudo, conduzido pelo tecnólogo Jônatas Ferreira dos Reis, foi mostrado aos estudantes da disciplina optativa de compostos orgânicos do terceiro período. Cerca de 1 000 plantas foram acompanhadas durante 75 dias.
Composto rendeu além do previsto
Inicialmente, o adubo foi formulado para suprir as necessidades nutricionais das mudas por 25 dias na estufa de aclimatação. Entretanto, segundo o pesquisador, uma decisão judicial que impediu a propagação das plantas prolongou esse período, e o material sustentou o cultivo por tempo maior do que o esperado.
Margaridão como “bomba de nutrientes”
As plantas cresceram em substrato produzido com esterco ovino e Margaridão (Tithonia diversifolia), espécie conhecida por concentrar altos teores de fósforo e potássio. De acordo com Jônatas, a formulação orgânica melhora a absorção de minerais e pode elevar a concentração de fitocanabinoides, além de ser ambientalmente segura.
Resultados iniciais
O levantamento apontou vigor vegetativo significativo, indicando que a combinação testada supriu adequadamente nitrogênio, cálcio e magnésio. A ausência de sinais de estresse nutricional confirmou a eficácia do substrato, mostrando que o manejo agroecológico pode substituir fertilizantes sintéticos na fase de crescimento.
Próximos passos
A próxima etapa prevê a instalação de uma área de biomassa para produção própria do composto, a fim de garantir autonomia. Em parceria com outras universidades, serão catalogados dados sobre o cultivo de Cannabis em condições locais e testadas novas melhorias no insumo.
Segundo professores do IFS, o conhecimento produzido poderá ser compartilhado com cooperativas, agricultores familiares e pacientes que cultivam para uso pessoal, potencialmente reduzindo custos no futuro. Embora sejam necessários investimentos em infraestrutura, mão de obra e plantio das culturas que fornecem matéria-prima, a expectativa é de que o sistema contribua para a recuperação do solo e diminua a compra de fertilizantes externos.
Com 15 anos de experiência em cultivo, Jônatas Ferreira dos Reis baseou o experimento em técnicas agroecológicas de nutrição vegetal e propriedades físicas do solo, adaptando-as à disponibilidade de insumos na região para garantir autossuficiência e controle de qualidade.
Salvar-SE e IFS planejam dar continuidade às pesquisas com o objetivo de ampliar o conhecimento técnico e aprimorar os produtos oferecidos aos associados da entidade.
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