O Brasil pode ser conhecido mundialmente pelo calor e pela alegria, mas, quando o assunto é a vida sexual, a realidade parece ser bem diferente. Uma pesquisa recente da Gleeden (2025) revelou um dado surpreendente: 75% dos brasileiros não estão totalmente satisfeitos com a própria vida sexual. Apenas 24% se consideram plenamente realizados, indicando que a grande maioria da população está mergulhada em uma “vida mais ou menos” debaixo dos lençóis.
A insatisfação, no entanto, não é causada pela falta de desejo. O estudo mostrou que 72% dos entrevistados consideram o sexo essencial para o bem-estar. O problema reside na prática: 64% transam menos de duas vezes por semana, evidenciando um descompasso entre o desejo e a rotina.
Outro ponto levantado pela pesquisa é o “altruísmo” no prazer. Quase metade dos entrevistados (47%) se preocupa mais em dar prazer ao parceiro do que em senti-lo, enquanto apenas 21% priorizam o próprio orgasmo. O ritmo de vida acelerado e o estresse são apontados como os principais vilões que colocam o prazer em segundo plano.
A sexóloga Marianna Kiss atribui essa insatisfação ao peso dos tabus. “As pessoas se limitam aos modelos tradicionais de relacionamento dentro e fora da cama,” comenta. Essa limitação, que impede a exploração de fantasias e o uso de brinquedos eróticos, leva a um alto índice de desejo reprimido. O resultado é uma insatisfação que, segundo a matéria, pode explodir em insegurança, depressão e irritação.
Em contraste, Bernardo Castro, cofundador da plataforma Exclusive, observa uma mudança cultural, com pessoas buscando experiências mais conscientes. Ele enfatiza que a verdadeira revolução não está em quebrar tabus, mas em permitir que o prazer seja vivido “como parte essencial do autocuidado, da autoestima e da liberdade.” A chave para a satisfação, portanto, reside no autoconhecimento, o “maior lubrificante emocional que existe”.
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