Aliado do “sistema” e sem discurso, Alessandro seria um “cavalo de troia”?

Com o discurso de ser “diferente dos iguais”, o então candidato a senador Alessandro Vieira (MDB) foi eleito de forma acachapante e surpreendente na eleição de 2018. Sua chegada ao Congresso Nacional despertou grande expectativa naquele momento pelo discurso repetitivo de combate à corrupção, por deixar transparecer que seria uma espécie de “vingador” no Senado da República na preservação do patrimônio público. Em síntese, Alessandro foi eleito com a narrativa de “independência política” se beneficiando da “onda” que elegeu o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Alinhado com o bolsonarismo, Alessandro jamais negava qualquer associação, até porque lhe era conveniente. Fazia parte do jogo! Em meados de 2020, quando o então ministro Sérgio Moro rompeu com Bolsonaro, talvez imaginando que o presidente da República não resistiria à pandemia e às falsas narrativas sobre as vacinas e sofreria um impeachment, Alessandro decidiu se declarar independente e até se alinhou com os partidos de Esquerda, inclusive do PT, que ele e Moro tanto condenaram antes, inclusive na campanha eleitoral.

Dali em diante, Alessandro passou a ser visto como “traidor” pelo eleitorado bolsonarista e com muita desconfiança pelos eleitores de Lula (PT), até porque, se tem uma coisa que a turma da política detesta é “cavalo de troia”! Depois de quatro anos muito desgastado já junto ao eleitorado sergipano, no 2º turno da eleição estadual, o senador largou mão da “independência”, abraçou a pré-candidatura de Fábio Mitidieri (PSD) para o governo e ainda emplacou sua apadrinhada política e delegada Danielle Garcia (MDB) na Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Desde então, o senador passou a adotar uma postura mais “neutra”, seja em relação ao governo do Estado, seja em relação ao governo federal e, principalmente, sobre a gestão do prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) em Aracaju. Um verdadeiro “abraço no sistema”, que ele tanto combateu antes de entrar na política partidária. Agora, atuando como “homem da confiança do governador”, e querendo emplacar a todo custo a indicação de Danielle Garcia para a PMA, Alessandro decidiu atacar quem se opõe ao seu projeto, mas que se posiciona melhor que sua pré-candidata.

Tentando ajudar Danielle Garcia a ter chances de chegar ao 2º turno, a impressão é que Alessandro Vieira parece decidido a incorporar o delegado de Polícia e passou a atacar adversários e até aliados, como o ex-deputado André Moura, que foi decisivo para a eleição de Mitidieri e cujo partido (União) tem sido fundamental para garantir a governabilidade. Tudo para tentar atingir a pré-candidata e deputada federal Yandra Moura. O senador, assim como Danielle, perdeu o discurso e agora tenta chamar a atenção do eleitorado que já lhe olha com desconfiança…

Agora, como perguntar não ofende, diante de tantos ataques distorcidos e desesperados, e já atuando como delegado/senador, querendo prender os políticos adversários, sem o apoio dos bolsonaristas e petistas, seria Alessandro Vieira um “cavalo de troia” dentro do governo Mitidieri com o intuito de dar uma espécie de “troco” mais adiante? Logo o senador que combatia tanto o governo Jackson Barreto e “silenciou”, recentemente após o ex-governador se reaproximar de Fábio? Seria uma “indignação seletiva” ou será que tudo parte de uma “trama” bem articulada? É coisa na política de Sergipe…

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