Com mais de 1,3 milhão de óbitos anuais, hepatites virais se tornam a segunda principal causa infecciosa de mortes no mundo, superadas apenas pela tuberculose.

As hepatites virais têm causado um número crescente de mortes mundialmente, tornando-se a segunda maior causa infecciosa de óbitos, superada apenas pela tuberculose. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 3,5 mil pessoas morrem diariamente devido a complicações relacionadas a essas doenças, somando cerca de 1,3 milhão de mortes por ano.

A dificuldade em acessar diagnóstico precoce e tratamentos adequados é um fator crucial no aumento dessas taxas de mortalidade. As hepatites virais, especialmente dos tipos B e C, são as principais responsáveis por esse aumento. Transmitidas principalmente por via sexual e contato com sangue contaminado, essas formas da doença podem se tornar crônicas, levando a sérios problemas de saúde, como câncer de fígado e cirrose.

O médico infectologista e professor da Universidade Tiradentes (Unit), Matheus Todt, destaca que a principal causa é a redução na procura pela vacina contra a hepatite B, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) há mais de duas décadas. “A negligência com medidas de prevenção e a falta de conhecimento sobre as formas de contágio também agravam o quadro”, ressalta Matheus.

Hepatites: um impacto global desigual

As diversas formas de hepatite afetam a saúde global de maneiras distintas. Por exemplo, a hepatite A tem um impacto menor por ser autolimitada, enquanto as hepatites B e C, com potencial de cronificação, representam um risco elevado à saúde pública, podendo levar ao óbito se não tratadas adequadamente.

“É incomum que doenças com vacinas disponíveis (como a hepatite B) e tratamentos eficazes (como a hepatite C) ainda causem tantas mortes. Observamos uma redução no número de vacinados e um desconhecimento sobre as formas de contágio e prevenção”, elenca o infectologista.

O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento das hepatites virais, mas enfrenta grandes desafios. “A natureza silenciosa da doença, que muitas vezes só apresenta sintomas em estágios avançados, dificulta a detecção oportuna. Essa demora no diagnóstico compromete as chances de cura e aumenta a letalidade”, explica.

A falta de acesso ao diagnóstico e tratamento das hepatites virais é um fator determinante nas altas taxas de mortalidade. Diagnósticos tardios resultam em doenças mais graves e menores chances de cura. Esta realidade é ainda mais severa em países de baixa e média renda, onde o acesso à saúde de qualidade é limitado.

“Certos grupos populacionais apresentam maior vulnerabilidade às hepatites virais, como homens que têm relações sexuais com outros homens, profissionais do sexo, usuários de drogas ilícitas e profissionais de saúde. Essa maior vulnerabilidade está relacionada a práticas sexuais sem proteção, contato com sangue contaminado e exposição ocupacional ao vírus”, destaca Todt.

Como combater

Para reduzir o impacto das hepatites virais, medidas urgentes são necessárias. “Informação e prevenção são fundamentais para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. A vacinação contra a hepatite B deve ser amplamente promovida, e medidas preventivas, como o uso de preservativo em todas as relações sexuais e a evitação do compartilhamento de agulhas, devem ser constantemente reforçadas”, recomenda Todt.

A implementação de programas de triagem e rastreamento em populações de alto risco é essencial para o diagnóstico precoce das hepatites virais crônicas, que frequentemente não apresentam sintomas iniciais. “Com a detecção oportuna, o tratamento adequado pode ser iniciado, aumentando as chances de cura e reduzindo a mortalidade”, complementa Todt.

A pandemia de COVID-19 teve um impacto negativo no diagnóstico e tratamento das hepatites virais. Os recursos e esforços voltados para o controle da pandemia desviaram a atenção de outras doenças importantes, como as hepatites B e C, atrasando diagnósticos e dificultando o acesso ao tratamento.

“As hepatites virais representam um sério desafio à saúde pública global. O aumento das mortes por essa doença exige medidas urgentes e coordenadas por governos, instituições de saúde e sociedade civil. Investir em informação, prevenção, diagnóstico precoce e tratamento é crucial para salvar vidas e garantir um futuro mais saudável para todos”, reitera Todt.


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