A história que ninguém conta: a não invencibilidade de Paulo André

Carlos Eloy, 04 de Dezembro, 2021 - Atualizado em 04 de Dezembro, 2021

 


Nem sempre perder significa o último lugar, não conquistar uma medalha ou não quebrar um recorde. Muitas vezes perder significa não atingir o seu objetivo pessoal, não performar como o planejado ou não competir da forma que imaginou. Isso aconteceu em Tóquio 2020, com o nadador Húngaro Kristof Milak. Após vencer os 200m borboleta e quebrar o recorde da prova, o atleta não esboçou um sorriso sequer, saiu desolado – isso tudo porque a prova não tinha saído como ele planejava; e ele não conseguiu bater o seu próprio recorde. E Paulo André Camilo, atualmente o homem mais rápido do Brasil, passou por uma situação parecida.

No GP Brasil de Atletismo de 2020, Paulo André – favorito ao ouro, não levou a douradinha nos 100m rasos, e terminou a prova em 2º lugar, com o tempo de 10s30, atrás do paulista Felipe Bardi dos Santos (10s25).

 


- No Brasil eu estava invicto desde 2017, eu não tinha perdido nenhuma prova até ano passado, e teve um GP que eu perdi e foi marcante. Eu esperava já a derrota porque eu estava num período de treino que não era o ideal para fazer uma boa marca e vencer provas, um período de base. Mas eu fui competir esse GP e o outro rapaz estava bem, vindo de uma série de competições, estava em outro momento; diferente do meu. Eu entro na prova para vencer, mas acabei perdendo, e fiquei chateado com a perda da invencibilidade. – conta Paulo André.

 


É claro que uma medalha de prata ainda é uma medalha de prata. Mas o atleta treina para ganhar a de ouro e às vezes o segundo lugar não é tão satisfatório assim. Às vezes, a derrota é mais pessoal do que coletiva. Mas não seria isso a parar Paulo André. Apesar da quebra da invencibilidade, apesar do segundo lugar, ele tratou de se recompor rápido, e uma semana depois do GP Brasil, estava de novo na busca do ouro, dessa vez no Troféu Brasil. O atleta já era tricampeão dessa competição, e buscava o tetracampeonato. “E eu consegui vencer, consegui me superar, reverter a minha derrota e dar a volta por cima”, afirma Paulo André. “Acho que o esporte é isso né, é se superar, conseguir lidar bem com as derrotas. É sobre resiliência, sobre saber lidar com as fases ruins e saber dar a volta por cima”, destaca.

 


- No início da minha carreira eu perdi demais. E pô, todo mundo né?! Ninguém começa já vencendo, só a Raissinha do skate, que já nasceu vencendo e com 10 anos era um fenômeno, enfim, uma em um milhão. Mas no início da carreira é bem difícil porque você sempre vai tomar porrada, e durante ela toda na real, então é minimizar as derrotas. Não desistir, acreditar no seu potencial, acreditar no seu treinador, no que você treina, naquilo que você está fazendo e que aquilo vai te trazer uma evolução. – complementa Paulo André.

 


E mesmo o esporte sendo sobre constância, disciplina e persistência, Paulo André nos mostra que ele também é sobre mudanças. Sobre sair da sua zona de conforto e arriscar no novo. “O que te trouxe até aqui, as coisas que você fez para chegar até aqui muitas das vezes não vão ser as coisas que vão te levar ao próximo objetivo, ao próximo passo. Então a mudança também é muito importante; mudar o seu planejamento, a sua estratégia, até muitas vezes o seu treino”, finaliza o atleta.
 
Contato assessoria CBDU

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