As Duas Pragas: Pandemia e Racismo! (por Antonio Samarone).

Antonio Samarone, 04 de Junho, 2020 - Atualizado em 04 de Junho, 2020

 

A Pandemia está deixando o noticiário no Brasil, ainda na fase de expansão. Sergipe chegou a 180 e o Brasil a 32.560 mortos. Somente ontem, morreram no Brasil 1.340 pessoas com a Peste, quase uma morte por minuto.

Por que a Pandemia está deixando de ser notícias? A doença avançou sobre o povo, a vida deles vale bem menos no Brasil.

A classe média e os ricos se protegeram. Há 12 semanas vivemos o confinamento como privilégio.

O povo é obrigado a sair de casa para ganhar a vida. Está sendo imunizado pela doença. Prevaleceu a política do Governo Federal da imunização de rebanho. Nada de isolamento. Cloroquina para todos.

Como sempre, a imprensa tenta criar a narrativa que o descumprimento popular do isolamento social se deve a baixa consciência sanitária, tentando responsabilizar as vítimas, quando a questão é visivelmente decorrente das condições econômicas, da política sanitária adotada e das formas de sobrevivência.

A imunização de rebanho se implantou na maior parte do País. Todos se expõem sem receios, e a seleção natural atua, sobrevivendo os mais aptos.

Essa foi política sanitária de combate a Pandemia adotada no Brasil: imunização de rebanho, mitigada com o isolamento da classe média.

Quantos estão ou foram contagiados até hoje? Nem os matemáticos e físicos, com as suas equações mirabolantes, sabem!

As televisões deixaram de mostrar os sepultamentos. A mortes viraram estatísticas. Tantos hoje, tantos amanhã. Passando-se a impressão de ser uma ocorrência de rotina. O noticiário foi substituído pelas brigas de Moro e agora pela luta contra a praga do racismo na América.

O Poder Público priorizou as suas ações em montar leitos improvisados de UTI, gerando uma acomodação da opinião pública.

A chegada de respiradores é festejada como a salvação. Pelo menos não se morre mais brigando por uma vaga na UTI. Morre-se sedado e intubado, com um certo conforto.

Inclusive, esse critério da disponibilidade de leitos é único indicador que está sendo usado no Brasil para calibrar a velocidade de reabertura da economia.

Na Europa, a abertura econômica é acompanhada pela testagem em massa, para se evitar uma segunda onda.

A não testagem em massa brasileira será um fator de risco para a classe média que está confinada, pois serão os únicos que sobrarão susceptíveis, na fase de declínio da doença. O povo está sendo submetido, na prática, a uma imunização de rebanho.

Ao final da travessia e do tormento, quem não morreu ficará imunizado. Se pagará um alto preço, mas foi o caminho escolhido no Brasil. São vidas que valem pouco, numa sociedade desigual e desumana.

Sobrará a classe média, que ficou confinada, para o banquete final do coronavírus.

No pós pandemia, andaremos assustados, com medo de gente, todos serão suspeitos. A nossa mente continuará confinada. Ficaremos sentados em frente aos computadores e a televisão, levando uma vida virtual, com máscara e empanturrados de álcool gel. Até que à vacina chegue.

A mensagem da Pandemia é para todos: o atual modo de vida deve acabar, não adianta insistir.

A armadilha necessária do confinamento nos colocou uma dilema: nos contagiaríamos logo, ou esperaríamos que as filas das UTIs diminuíssem?

A Saúde Pública nunca enganou: o grande confinamento foi para reduzir a velocidade da transmissão e não colapsar a rede de assistência. Ninguém garantiu que ficaríamos livres da Peste.

Decidimos colaborar. Como prêmio, a nossa conta chegará depois!

O caminho brasileiro de combate a Pandemia levou que fossemos escolhidos para testar a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com uma empresa italiana de biotecnologia.

O Brasil orgulhosamente entrou na pesquisa oferendo os cobaias humanos para os testes. Seremos dois mil voluntários. A Imprensa festejou e a opinião pública ficou feliz. Estamos colaborando cientificamente com o mundo.

Viva o Brasil.

Antonio Samarone.

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