Mestre Osório de Genoveva... (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 02 de Julho, 2020

Não conhecia as Grotas do Matebe, nas redondezas do Capunga. É a terra natal de meu Pai. Fui atraído pelo fenômeno do xamã Osório de Genoveva, o mestre Zozó. A fama é veloz.

A avó de Seu Zozó, Genoveva Rezadeira, morreu com a Peste de Gripe Espanhola.

O Matebe é um povoado do século XIX. Três bodegas encardidas, uma praça, um igreja cheia de goteira, e o “Centro de Magias e Encantos Santa Terezinha”, do Seu Zozó.

No Matebe só mora Velhos. Não vi meninos. O progresso sumiu do Matebe com o fechamento do Engenho dos Barbosas, a família mais rica das Candeias.

No meio da Praça tem um Pé de Mulungu de trezentos anos, que serve para juntar morcegos.

O Mestre Zozó é um curandeiro aposentado. Tinha perdido a freguesia para a indústria farmacêutica. As suas crendices foram sufocadas pelo progresso da ciência.

Agora na Pandemia, a clientela voltou. A Peste traz novidades.
Correu o boato que ele tinha contraído a Covid-19, e estava mal. Em poucos dias, seu Zozó já estava a cavalo na estrada de Malhador. O velho Pajé estava curado. A notícia correu. Onde ele se tratou? Ele deve conhecer algum remédio de mato.

Na semana seguinte, Zefa de Sinhá apareceu com sinais da Peste. Tomou os remédios do Mestre Zozó e em poucos dias ficou sã psíquica. Aí começou a aparecer gente, com suspeita da mandinga viral.

O Centro de Magias e Encantos Santa Terezinha renasceu. Multidões em busca de proteção contra a Peste. Os remédios do Mestre Zozó também agem preventivamente.

Fui saber do que se tratava.

Me apresentei como neto de Ascendino, tropeiro antigo na região. Fui muito bem recebido pelo mestre. Ele abriu um sorriso, deixando entender que conheceu o meu avô.

Para encurtar a conversa, quis logo saber qual era o milagre, o que ele estava prescrevendo para os pestosos, que vinha dando tão certo. Até agora ninguém morreu e ninguém precisou ser internado.

Ele minimizou, dizendo que era Deus quem curava, que ele é quase analfabeto, numa aula de falsa modéstia. Mas terminou me contando.

Ele inicia com um chá da casca da quina, como os antigos Incas. Ainda esnoba, se quiser pode tomar a cloroquina do exército, é a mesma coisa. Segue com duzentas gramas de semente de melancia trituradas, rica em zinco. E completa o tratamento com dois comprimidos de ivermectina, a cada 15 dias, por três vezes. Depois uma dose de manutenção.

Ele ainda me revelou, em segredo. “Os remédios do mato não se encontram mais. Isso que eu passo, é o que está se usando em Aracaju. Ou quase isso! O povo está com medo, quer algum tipo de proteção”.

Eu tratei de pegar a receita e vou tomar!

Segundo o Dr. Tadeusz Reichstein, Nobel de Medicina, em 1950. “Se não fizer bem, mal não faz.”

Antonio Samarone.

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