A Solidão da Peste. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 02 de Outubro, 2020

Não é bom que o homem esteja só - (Deus, depois de ter criado Adão).

A solidão do isolamento social é sedentária. Aumentou o sobrepeso. Tornou a depressão soberana. As sequelas da Covid-19 somam-se as sequelas do confinamento.

Qual a estratégia da Saúde Pública para o término da quarentena, em segurança?

O prognóstico para o avanço das doenças crônicas é sombrio. Os idosos serão as principais vítimas. A Pandemia não acaba, com a redução da primeira onda.

Para o retorno da economia os governos montaram protocolos, cronogramas e fiscalizações. E para o retorno da vida social, quais são os caminhos?

Observem o exemplo da vida escolar, ninguém se entende. As escolas continuam fechadas em Sergipe. Nenhuma medida prática de readequação foi tomada.

Numa solenidade na SOMESE (não presencial) dos médicos de cabelos brancos, um velho e sábio professor alertou:

“A Peste ressuscitou o humanismo médico. Os mais novos acusados de interesseiros, voltados somente para o lucro, saíram na frente nessa luta contra a Peste. Sujeitos a contaminação e a morte, os Profissionais de Saúde não deixaram ninguém desassistido. Estavam na linha de frente, amenizando os sofrimentos.”

Os padres e pastores se recolheram em orações.

Se eu fosse obrigado a escolher um fato positivo da Pandemia, não tenho dúvidas: o comportamento corajoso e solidário dos Profissionais de Saúde. O Sertão sergipano perdeu dois grandes pediatras. Jovens médicos foram sacrificados. Foram tantos. Espero que a memória deles se eternize. São heróis de um combate anônimo, contra um inimigo impiedoso.

O homem é uma animal social - (Aristóteles).

A Horda, o Clã, a Tribo, a Aldeia, formas indispensáveis para reduzir os perigos da selvagem. As cidades são lugares de encontros. Do Templo ao Mercado.

O solitário é um monstro, um sábio ou uma divindade!

“Não vejo que haja um só estado, uma só posição na vida em que seja possível se abster dos outros homens; diferentes necessidades nos ligam a eles: a primeira a de falar, de dizer o que se sente, o que se pensa.” (Cícero)

O cafezinho de final de tarde e as velhas lorotas estão fazendo falta.

No livro dos mortos do Egito, só o defunto é uma ser solitário: “Só, eu percorro as solidões cósmicas. Um raio de luz emana de todo o meu ser. Sou um ser rodeado de muralhas. Sou um solitário no meio de minha solidão.”

Exigimos uma saída segura do eterno confinamento!

O holismo de Platão é uma nostalgia do coletivismo tribal. O indivíduo é efêmero, só o coletivo possui permanecia e estabilidade. A cidadania é coletiva.

A vida social é um direito! O “Fique em Casa” é mais que uma medida sanitária. É uma estratégia de dominação! Para nos proteger do vírus, abriu-se as portas para infinitas mazelas.

Antonio Samarone (médico sanitarista)

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