A Vacinação deve ou não ser obrigatória? (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 24 de Outubro, 2020

Nessa luta mundial por uma vacina contra covid-19, a única novidade é a politização da futura vacina no Brasil. O ridículo perdeu os limites, o uso da vacina, obrigatório ou não, vai ser decidido no STF, nas “barras dos tribunais”.

No mais, é a história se repetindo. Vejam a trajetória de outra doença viral, que hoje (24 de outubro) se comemora o seu dia de combate.

A poliomielite é uma doença antiga, porém, a descoberta de sua causa viral é da primeira metade do século XX.

O vírus da poliomielite é um poliovírus, pertencente ao gênero Enterovirus (família Picornaviridae). A transmissão é oral/fecal, podendo ser oral/oral.

A poliomielite é altamente contagiosa e o poliovírus é capaz de infectar 100% dos indivíduos suscetíveis. Embora 95% das infecções se apresentem de forma assintomática, os outros 5% podem comprometer o sistema nervoso, causando a temida paralisia infantil.

Em 12 de abril de 1955, foi concluído o maior ensaio clínico para vacinas na história e a vacina inativada (IPV) foi declarada segura, efetiva e potente. Coube ao epidemiologista Jonas Salk a fama e a vacina levou o seu nome.

No Brasil, a vacina inativada (Salk) começou a ser utilizada em 1955, muito discretamente, por alguns médicos pediatras e em vacinações de amplitude reduzida. Em Sergipe, os pediatras Lauro Dantas Hora e José Machado de Souza trouxeram a novidade.

Em 1961, o cientista Albert Sabin descobriu uma vacina com o vírus vivo, atenuado, e de uso oral.

Foi um grande avanço.

Durante o Governo de João Figueiredo, o Ministro da Saúde, Waldir Arcoverde, criou o Dia Nacional de Vacinação, o famoso Zé Gotinha, com grande sucesso. O impacto foi evidente, o número de casos passou de 1.290 em 1980, para 122 em 1981.

Em março de 1989 foi notificado o último isolamento do poliovírus selvagem no país, no município de Souza, na Paraíba. Em 1994, o Brasil recebeu a Certificação Internacional da Erradicação da Poliomielite.

Essa conversa toda é para alertar que a cobertura vacinal caiu muito no Brasil. O Sarampo já voltou com intensidade e os epidemiologistas temem pelo retorno da poliomielite.

É evidente, como médico sanitarista, sou amplamente favorável a vacinação obrigatória, para as doenças que se constituem em ameaça para a Saúde Pública, onde a Covid-19 se encontra.

Hoje, 24 de outubro, é o dia da sergipanidade, de Santo Antônio Maria Claret, pouco conhecido no Brasil, e o dia mundial de combate a poliomielite, criado pelas Nações Unidas (ONU).

Registre-se o empenho do Rotary Internacional no combate a essa patologia.

Antonio Samarone. (médico sanitarista)

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