O Carvalho de Jorge... (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 04 de Novembro, 2020 - Atualizado em 04 de Novembro, 2020

 

O meu amigo Zabelê produziu um livro de poesia amena, “O Carvalho”. Pura literatura, das antigas.

Jorge Carvalho poderia ter produzido um Juazeiro, já estava bom, mas ele quis um Carvalho. Entendi, a poesia do juazeiro é profana, a do Carvalho é sagrada. Abraão recebeu as revelações de Deus junto a um Carvalho, tanto em Hébron como em Siquém.

O Velho Lua cantou: “Juazeiro, Juazeiro/ Me arresponda, por favor/ Juazeiro, velho amigo/ Onde anda o meu amor? Juazeiro, seja franco/ Ela tem um novo amor? Se não tem, por que tu choras/ Solidário à minha dor”

Jorge preferiu cantar “O Carvalho”. Fez bem! Um Juazeiro dura cem anos. O Carvalho dura mil...

Fiquei acanhado em comentar literariamente o livro. Luiz Eduardo Costa, fez uma síntese rodrigueana: “O Carvalho é uma revelação.” Comentar mais o quê?

Depois da morte de Luiz Antonio Barreto, sobraram três intelectuais de "bata longa" em Aracaju: Jackson da Silva Lima, Ibarê Dantas e Luiz Eduardo Costa. Jorge Carvalho entrou na fila para disputar a quarta vaga.

Jorge poderia ter escolhido uma Craibeira, a mais bonita e portentosa arvore sertaneja, um Jacarandá, uma Quixabeira, que abrigou Santo Antonio Fujão na Caatinga de Ayres da Rocha.

Nada disso contentou Jorge. Ele escolheu “O Carvalho”.

Jorge Carvalho desmentiu uma calunia antiga: “Sergipe é uma terra de muitos poetas e pouca poesia.” Uma infâmia, que eu sei quem disse, mas jurei segredo.

Houve uma discórdia entre os analistas da Província: “O Carvalho” é um livro de Contos ou de Crônicas? Eu só enxerguei poesia.

Jorge Carvalho estreou na literatura com um livro recheado de saberes, ternura e poesia.

Uma ótima leitura.

Antonio Samarone (médico sanitarista)

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