Sergipe, duzentos anos de autonomia falseada. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 13 de Dezembro, 2020

 

Sergipe não comemorou o bi centenário (1820 – 2020). Claro, a Pandemia foi uma boa desculpa. Para evitar injustiças, a ALESE patrocinou meia dúzia de debates pela internet.

Apesar dos esforços de alguns abnegados, criando a ideia de sergipanidade, a autoestima dos sergipanos ainda é muito baixa.

A Bandeira de Sergipe foi criada pelo industrial José Rodrigues Bastos Coelho para enfeitar os seus barcos. O Coronel Pereira Lobo transformou-a em Bandeira oficial.

O Hino de Sergipe é acusado de plágio e poucos o conhecem.
Comenta-se que um dos magnatas da educação em Sergipe tentou recentemente criar um hino novo. Houve reações e ficou o dito pelo não dito.

Sergipe teve o direito a assento no Senado Federal, desde 1836. Contudo, o primeiro sergipano a tomar posse foi Antonio Diniz de Siqueira e Mello, em 1859.

Estranho, e quem representou Sergipe no Senado Federal nos primeiros 23 anos?

Na verdade, a aristocracia sergipana não viu com simpatia a autônima de Sergipe, em 1820. Os nossos primeiros Senadores foram de fora, gente que nunca pisou os pés em Sergipe.

Representaram Sergipe no Senado (1826 – 1860) os fidalgos José Teixeira da Matta Bacelar e José da Costa Carvalho (Marques de Monte Alegre).

O primeiro Senador por Sergipe (1826 – 1838), José Teixeira da Matta Bacelar, advogado baiano, que escreveu a “Relação abreviada da Cidade de Sergipe d’El Rei”, em 1807. Nunca visitou Sergipe.

O segundo Senador por Sergipe (1839 – 1860), o Marques de Monte Alegre, baiano de Salvador. Bacharel em leis pela Universidade de Coimbra. Um homem letrado, mas que desconhecia profundamente Sergipe.

Em 1924, Sergipe passou por mais um constrangimento. O Presidente Arthur Bernardes exigiu que a vaga de Sergipe no Senado fosse destinada ao Jurista Maranhense Augusto César Lopes Gonçalves.

Houve reação dos políticos locais. Artur Bernardes prometeu construir em troca o Porto de Sergipe.

Numa vergonhosa página política, nas eleições de 17/02/1924, o eleitorado “livre” de Sergipe derrotou o Marechal sergipano José Siqueira de Menezes e elegeu o maranhense Lopes Gonçalves, mesmo sem nunca ter vindo à Sergipe, nem durante o pleito.

A Promessa do Porto não foi cumprida, mas Lopes Gonçalves representou Sergipe até 1930, quando foi cassado pela Revolução.

O Jornal “A Tribuna” criticava o Senador Postiço de Sergipe: “Lopes Gonçalves gastava os seus gordos subsídios nos dancings e cabarés do Rio de Janeiro.”

São muitos os casos. Mas fico por aqui, por enquanto.

Antonio Samarone (médico sanitarista)

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