As Farmácias em Sergipe. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 03 de Janeiro, 2021 - Atualizado em 03 de Janeiro, 2021

A lei Federal nº 1.472, de 22/11/1951, autorizava aos que tiverem mais de cinco anos de prática em farmácia, licença para abrir farmácias em localidades onde não existisse farmacêutico diplomado.

Essa providência visava suprir a carência de profissionais diplomados em farmácia, particularmente nos Estados menos desenvolvidos, como era o caso de Sergipe.

Pedro Garcia Moreno (Pai dos médicos Garcia Moreno e do Dr. Pedro Moreno, médico de Itabaiana), presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado, cobrava das autoridades públicas de Sergipe a realização de curso para “Práticos em Farmácia”, a exemplo do Estado do Ceará, para evitar a concessão de licença para instalação de farmácias a leigos, levando em conta apenas interesses políticos.

A grande luta dos farmacêuticos em Sergipe nesse período era o combate ao charlatanismo. As reivindicações terminaram por sensibilizar os governantes.

Em 28 de novembro de 1954 o Departamento de Saúde Pública (DSP) realizou no Instituto Histórico, com a presença do Governador do Estado, do Diretor do DSP, Dr. Ávila Nabuco, a diplomação da segunda turma, com 20 alunos, de Oficiais em Farmácia (Práticos em Farmácia).

O farmacêutico Francisco Alberto Bragança de Azevedo foi o paraninfo da turma.

A iniciativa foi elogiada pelos principais líderes dos farmacêuticos diplomados em Sergipe, pois visava suprir uma grave carência de pessoal formada nessa área.

A Décima Convenção Brasileira de Farmacêuticos, realizada em Porto Alegre em 1955, aprovou moção de louvar ao Governador Leandro Maciel, por essa iniciativa de fortalecimento da categoria dos farmacêuticos.

No discurso do paraninfo Francisco Bragança, ele solicitou ao Governador a revogação do decreto nº 975, de 10 de novembro de 1926, que suspendeu, por medida de economia, o funcionamento da Faculdade de Farmácia de Sergipe, criada por Gracco Cardoso, pelo decreto 913, de 15 de dezembro de 1925.

Nesse momento a Inspetora de Farmácias do DSP era a farmacêutica Cesartina Regis do Amorim. Pedro Garcia Moreno (o pai), Marcos Ferreira de Jesus e Rodolfo Muniz Barreto eram os farmacêuticos influentes em Sergipe.

As Farmácias em Itabaiana.

O curso teve duração de um ano. Entre os formandos encontramos nomes que iriam ocupar posições de destaque no interior do Estado, citamos o prático Tennyson Melo de Oliveira, figura pública em Itabaiana.

O acesso a uma consulta médica era um privilégio de poucos. As pessoas se consultavam com os Farmacêuticos. Em Itabaiana, a consulta era no balcão das farmácias de Tennyson e Oliveirinha. Hermegildo Melo Oliveira, seu Oliveirinha, era irmão de Tennyson.

Tennyson Melo de Oliveira nasceu em Itabaiana, em 07/08/1924, filho do Farmacêutico diplomado, Florival Melo de Oliveira e Dona Filenila Melo. Faleceu em 10/06/1977, aos 53 anos.

Tennyson comprou a fábrica de sonhos em Itabaiana, o velho Cine Popular, de Zeca Mesquita. Fez uma grande reforma. Colocou tela para cinemascope, som “stereo”, cadeiras acolchoadas, bebedouro elétrico, sanitários limpos e ar-condicionado.

A reinaugurou da velha casa ocorreu em 1969, com o belo filme, “Felizes para Sempre”, com Sophia Loren. Se apertar o juízo, ainda me lembro do enredo.

Tennyson morava na Praça da Igreja e tinha filhos modernos e boa gente. Amigos da molecada do Beco Novo. Os meninos (Tensinho, Ricardo, Vittório, Marcelo, Fábio e menina Tenny), gente diferenciada, que tinha radiola em casa e ouviam a BBC de Londres, no rádio.

Os filhos de Tennyson usavam jeans e ouviam blues. Havia o boato que eles gostavam até de música clássica. Mesmo com todas as regalias, era gente que não discriminava a molecada.

A foto é do Monsenhor Soares, ao lado de Tennyson, no dia da reinauguração do Cine Popular, em Itabaiana.

Antonio Samarone (médico sanitarista)

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