Médicos Sanitaristas Sergipanos. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 12 de Janeiro, 2021 - Atualizado em 12 de Janeiro, 2021

 

Entre as carências no combate à Covid-19 em Sergipe, destaco a ausência de técnicos experientes em Saúde Pública, na Secretária Estadual da Saúde.

Aracaju já enfrentou com sucesso grandes problemas de Saúde Pública.

Em junho de 1979, Aracaju era declarada a Capital Nacional da Esquistossomose. Sergipe possuía 40, dos 75 municípios, situados na área endêmica, com uma incidência média superior a 40%.

Em Aracaju a incidência atingia 36,9%, a mais elevada entre as capitais brasileiras. Durante os anos de 1978 e 1979 foram examinados 47.680 escolares, em 776 escolas, sendo encontrados 19.138 casos positivos, em Sergipe. Uma incidência assustadora.

A Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM) decidiu enfrentar o problema. A primeira atitude, foi nomear para coordenar a campanha no Estado, o Dr. Cleovansóstenes Pereira de Aguiar, médico sanitarista de larga experiência.

A SUCAM, iniciou uma grande campanha de combate à esquistossomose no Estado. As atividades em Aracaju tiveram início no dia 08 de julho de 1979.

Cerca de 150 funcionários da Saúde Pública foram distribuídos pela Capital, centrados nas Unidades de Saúde e Colégios. O programa consistia na administração de uma dose de “mansil”, uma hora após as refeições, em todas as pessoas residentes nas áreas de risco.

Imaginem convencer as pessoas a tomarem um medicamento desconhecido! As resistências foram mínimas, havia confiança no pessoal da SUCAM. Eu sou testemunha, participei da Campanha, como aluno do sexto ano de medicina.

Cerca de 140 mil pessoas receberam o medicamento em Aracaju.

Os agentes de Saúde Pública foram de rua em rua, de porta em porta. Quando havia dúvidas se o cidadão tinha engolido o remédio, pedia-se para o suspeito abrir a boca para observar se o comprimido não tinha ficado embaixo da língua.

Cinco Unidades de Saúde permaneceram atendendo ao público, tanto para exames laboratoriais como para a distribuição do “mansil”, o medicamento usado no tratamento da doença.

A meta era reduzir a incidência em pelo menos um terço, o que foi plenamente atingido. Assim, Aracaju perdeu o título de campeã Nacional da esquistossomose.

Onde fosse encontrado um caramujo, o mesmo deveria ser eliminado com o uso do “Bayluscide”.

A doença foi quase banida de Aracaju, o que ainda existem são casos residuais. A Esquistossomose deixou de ser um problema de Saúde Pública em Aracaju.

A atuação na zona urbana de Aracaju, encerrava uma ampla campanha desenvolvida pela SUCAM contra a enfermidade, em 39 municípios sergipanos.

Hoje, mesmo vacinas aprovadas pelas OMS, são rejeitadas por uma parte da população.

Antonio Samarone (médico sanitarista)

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