Assistência à Criança e Puericultura em Sergipe (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 18 de Fevereiro, 2021

Em 1925, Augusto Leite participou do I Congresso Internacional da Criança, na Suíça.

Em 1928, iniciou-se a construção da Maternidade Francino Melo, a primeira em Sergipe, inaugurada em 1930. O primeiro nascimento ocorreu em 1931, realizado pelo doutor Otaviano Melo. Outros obstetras atuaram nessa Maternidade desde o início: Ávila Nabuco, Carlos Menezes e João Firpo.

Vários obstetras atuaram em Sergipe, desde o final do século XIX, com destaque para os doutores Carlos Melo, Melício Machado, Raulino Galrão, Reginaldo Silva, Hugo Gurgel e Dalmo Machado, entre outros. A obstetrícia é uma especialização antiga.

A primeira operação cesariana em Sergipe ocorreu em 1930, realizada pelo Dr. Augusto Leite, para o nascimento de Helena Santos.

Em 1931, foi criado um consultório para o atendimento das mães grávidas e das crianças pobres, sob o patrocínio da Academia Sergipana de Letras. Nesse mesmo ano foi comemorado pela primeira vez em Sergipe a “Semana da Criança”, com o concurso para premiar-se a mais saudável.

Em 1937, foi inaugurado o Hospital Infantil.

Em 1941, foi realizado o Primeiro Curso de Puericultura em Sergipe, patrocinado pelo Departamento Nacional da Criança e pelo Departamento Estadual de Saúde Pública; e em 1946, o Segundo Curso, dessa vez com a contribuição da Legião Brasileira de Assistência.

Em 1947, foi criada a Sociedade Protetora da Casa Maternal Amélia Leite.

Em outubro de 1951, o Governador Arnaldo Rollemberg Garcez enviou a Assembleia Legislativa um projeto de Lei tornando obrigatório o ensino de puericultura nas quartas classes femininas, visando preparar a futura mulher sergipana para o trato dos pequeninos seres no seu desenvolvimento físico e moral.

Em 31 de janeiro de 1957, foi inaugurada a Maternidade “João Firpo”, anexo ao Hospital Santa Isabel. Um amplo edifício de três pavimentos, com capacidade para cinquenta leitos. O andar térreo estava destinado as indigentes, o primeiro pavimento as parturientes do convenio com o Estado e com os Institutos de Aposentadorias, e o segundo pavimento destinado às pacientes particulares, onde existiam quatro apartamentos de luxo e quartos individuais.

Durante a década de 1950, foram criadas entidades de proteção as gestantes e crianças, em quase todos os munícipios sergipanos. O Departamento Nacional da Criança, incentivou as Prefeituras a criarem uma “Associação de Proteção e Assistência a Maternidade e a Infância”.

A Associação de Itabaiana, foi fundada em 13 de junho de 1954, tendo como Presidente a senhora Maria de Oliveira Mendonça; como Secretários Eliseu Teles Rego e Josefina Mendonça.

Entre os objetivos dessas Associações, previstos em seus estatutos, encontravam-se:

“Higiene da maternidade e da infância, e sua proteção e assistência antes e depois do parto; assistência médica a criança, a gestante e a nutriz; assistência alimentar; proteção e educação das crianças órfãs e abandonadas; proteção, tratamento e educação de crianças com problemas, físicos, mentais e sociais (surdo mudos, cegas, aleijadas, paralíticas, etc); proteção, recreação e educação de crianças de mães que trabalhem fora do lar; divulgação dos preceitos de higiene e puericultura; recreação e educação física para as crianças em geral.

Claro, muito pouco saiu do papel, mas houve a intenção.

No caso de Itabaiana, não temos notícia do destino dessa Associação, entretanto, em pouco tempo seria criada a primeira maternidade local, iniciativa de uma outra Associação da mesma natureza, mas de inspiração religiosa.

O Centro de Ação Social Católica de Itabaiana, dirigido pelo Pe. Artur Moura Pereira, inaugurou em 01 de setembro de 1959, a Maternidade São José, com 22 leitos para gestantes indigentes e 02 para pensionistas. Todos os equipamentos da Maternidade foram doados pela Legião Brasileira de Assistência (LBA).

Na solenidade de inauguração estavam presentes: o Bispo diocesano, Dom José Vicente Távora; o Diretor do Departamento Estadual de Educação, Pe. José Araújo Mendonça; o representante da LBA em Sergipe, Dr. Carlos Melo; o Dr. Airton Teles, o Pe. Artur Moura Pereira, D. Maria Pereira e Antonio Oliveira (Tonho de Doci).

A solenidade foi abrilhantada pela banda de música de Campo do Brito.

Foi indicado como diretor da nova Casa de Saúde o médico humanitário Pedro Garcia Moreno.

Durante o primeiro ano de funcionamento, foram internadas nessa Maternidade 282 mulheres; sendo 218 partos, 55 atendimentos a abortos, 07 para observação, duas extrações de placenta; foram 211 crianças nascidas vivas, 14 nascidas mortas, 01 parto cirúrgico e 01 óbito materno.

Em 11 de fevereiro de 1967, foram aprovados os Estatutos da Maternidade São José, como uma Sociedade Civil, sem fins lucrativos, que visava prioritariamente o atendimento da gestante desamparada. A primeira direção foi constituída pelas Irmãs Rafaela Pepee, Marta Hulshen, Evência Vasconcelos e Maria Ivência Lobo.

Antonio Samarone (médico sanitarista).

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