As Minas de Prata de Itabaiana. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 02 de Março, 2021 - Atualizado em 02 de Março, 2021

Em 1619, o Governador-Geral do Brasil (1617 -1621), Dom Luís de Souza, o Conde do Prado, estava acampado nas faldas da Montanha de Itabaiana, em busca de Prata, conforme os mapas de Belchior Dias Moreia (neto de Caramuru).

No topo da Serra, Belchior bradou em voz alta: “Estamos com os pés sobre a prata”, mas não disse o local exato.

O Governador se fez acompanhar de Fernão Gil, mineiro, com experiência de 30 anos nas Minas do Peru. O velho Gil examinou as pedras brancas, com fogo e com azougue e não encontrou nenhum metal.

Perderam a viagem!

Belchior queria receber primeiro as mercês prometidas: ser considerado fidalgo da Casa Real e nomeado administrador Geral das Minas.

Existe outra versão: as minas não eram de prata, mas de salitre e na Serra de Jacobina.

A verdade é que a prata de Itabaiana foi o primeiro passo para se chegar a Diamantina, e iniciar-se o Ciclo do Ouro em Minas Gerais. O caminho foi pelo Rio São Francisco.

Os holandeses, quando ocuparam o Brasil, mandaram uma vasta comitiva em busca da Prata de Itabaiana. Também perderam viagem.

Em 1670, o Governador do Brasil, Alexandre de Souza Freire, designou Fernão Carrilho para por fim aos Quilombos de Sergipe. Fernão Carrilho saiu-se vitorioso da inglória missão, expulsando os escravos para a outra margem do São Francisco.

Em 1673, em carta de 28 de junho, Dom Afonso IV, Rei de Portugal, ordenou que Fernão Carrilho auxiliasse Rodrigo de Castelo Branco, no descobrimento das minas de prata de Itabaiana.

Fernão Carrilho aderiu a essa vã empresa com a sua pessoa, escravos e recursos. O acampamento foi montado nas proximidades da Serra de Itabaiana, numa localidade depois denominada Povoado Carrilho, em sua homenagem.

Esse mesmo, é o famoso Povoado Carrilho, grande produtor de castanha de caju, assadas na brasa, famosa em boa parte do litoral Brasileiro.

Tal era a folha de serviços do capitão Fernão Carrilho à Coroa Portuguesa que, em 1676, o governador Pedro de Almeida o convidou, por carta, para comandar uma expedição contra o Quilombo dos Palmares.

O Capitão Fernão Carrilho comandou um longo assalto a Palmares, que durou 10 anos, entre 1676 e 1686, sem conseguir derrotá-los.

Domingos Jorge Velho que ganhou a fama por ter derrotado Palmares, só entrou final. Jorge Velho estava aposentado no Piauí, quando o Governador Geral, Souto-Maior ordenou que ele voltasse a luta.

Domingos Jorge Velho era um típico bandeirante - rude, enérgico, dado aos prazeres da cama e da mesa, animado pela cobiça e pela rapacidade, cruel na guerra, impiedoso na paz.

Jorge Velho teve uma ajuda inesperada.

Por cerca de dez anos, a partir de 1686, Pernambuco (Alagoas era parte) esteve sob o domínio de uma terrível epidemia, - o mal de bicho, uma espécie de febre amarela, - que se abateu sobre a capitania logo em seguida a um surto de varíola.

Palmares tombou em 1694, com a ajuda expressiva das epidemias de varíola e febre amarela, que dizimaram muitos negros.

Os Negros haviam defendido a sua fortaleza por 50 anos. Zumbi foi assassinado em 20 de novembro de 1695, pela jagunçada de Jorge Velho.

Itabaiana é parte não contada dessa história, pela passagem de Fernão Carrilho, em busca de prata na Serra.

Se até hoje não acharam as Minas de Prata na Serra de Itabaiana, foi por falta de tecnologia adequada. Belchior não esteva mentindo, ele recebeu o mapa da Mina de Gabriel Soares de Souza, que os historiadores conhecem bem.

Da última vez que se ouviu falar de Fernão Carrilho foi em 1703. Promovido a lugar-tenente do governador do Maranhão (1699). Em 1701, substituiu o governador, durante a ausência deste no Reino, já com o posto de tenente-general.

O Povoado Carrilho, grande beneficiador da castanha de caju, nasceu bem antes da Villa de Santo Antonio e Almas de Itabaiana.

Gente essa rota está pronta: o turista vai conhecer a história do Carrilho, acompanhar a produção artesanal da castanha de caju e compra-la diretamente ao produtor.

Ainda passa em Itabaiana, para comprar peças de ouro (a preços módicos) e comer a carne assada, em João de Neco.

Antonio Samarone (médico sanitarista).

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