A Ilusão é a última que morre. (Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 03 de Junho, 2021

Zeus assistiu inconformado os homens cozinhando e dançando em volta das fogueiras. Descobriu que Prometeu os tinha dado o fogo.

Zeus preparou uma vingança: presentou Pandora com uma Caixa de Maldades e aconselhou-a para que não a abrisse.

Conselho inútil, Pandora abriu a caixa e as maldades ganharam o mundo. Fechou-a arrependida, mas era tarde, no fundo da Caixa só restou a esperança.

Até hoje a humanidade acreditava que a esperança era a última a morrer.

As neurociências acabam de descobrir que nada sobrou na Caixa de Pandora, foi ilusão.

A ilusão é uma força que nos faz enfrentar o dia-a-dia, com certo otimismo. A ilusão é necessária para mantermos a esperança. A esperança é filha da ilusão.

A ilusão é contagiosa, parte fundamental da magia, que perdurou por toda a história.

As neurociências estão desvendando as limitações cérebro, físicas e metabólicas. O cérebro aprendeu com a evolução, todo um conjunto de estratégias magníficas para sobreviver diante da natureza hostil e de todos os desafios.

O nosso cérebro adora ser iludido!

Somente a visão, cada retina recebe por segundo, o equivalente a setenta gigabytes de informação. Isso equivale a setenta vídeos com seus áudios, setenta filmes. isso é incontrolável, é uma avalanche de informações que recebemos constantemente.

E o mais grave, existe uma cegueira para mudanças. A gente demora a descobrir as ilusões.

A gente escolhe em que e quem acreditar. Não existem critérios seguros de discernimento.

A Ilusão é soberana e o cérebro é lento!

Essas informações precisam de um arquivo, que é a memória de trabalho, a memória temporária, que também tem suas limitações.

A minha memória, já começou a apagar muita coisa.

Antonio Samarone. (médico sanitarista.)

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