A Terra da Vera Cruz. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 15 de Agosto, 2021

Por que Cabral apelidou o Brasil de Terra da Vera Cruz?

A Cruz é um símbolo universal e totalizante, aponta para os quatros pontos cardeais. Na cultura chinesa, a cruz aponta um quinto ponto, o centro, a encruzilhada.

A suástica é uma cruz em movimento de rotação, usada por Hitler e Carlos Magno.

Na tradição cristã, a Cruz simboliza o Salvador (Ave crux, spes única).

A Cruz com três braços transversais é de uso exclusivo do Papa. A Cruz com dois braços é privativa dos Cardeais e a Cruz simples, dos Bispos.

A Cruz foi um instrumento de suplício, em Roma. Existem vários tipos: a Cruz “decussata”, em forma de X, a Cruz “commissa”, em forma de T (o tau), sem o topo acima dos braços e a Cruz “immissa”, a tradicional, na qual se acredita que crucificaram Cristo.

A verdadeira Cruz de Cristo ficou desaparecida por três séculos. A lenda cristã conta que ela estaria enterrada sob o Templo de Vênus, um escarnio do Imperador Adriano. O templo foi demolido e encontraram três cruzes. Qual seria o lenho verdadeiro, a Vera Cruz.

Macário, o Bispo de Jerusalém, sugeriu uma forma de resolver essa dúvida: se colocaria um cadáver próximo as três cruzes, onde o morto ressuscitasse seria a Cruz verdadeira. E assim foi feito. Foi a ressureição desse morto que definiu a Vera Cruz, a Cruz verdadeira.

A metade da Vera Cruz foi para Constantinopla e a outra metade para a Igreja da Santa Croce, em Roma. Os portugueses quando chegaram ao Brasil, por ironia, disseram que tinham chegado à Terra da Vera Cruz.

Como assim?

A Cruz de Cristo foi produzida com madeira de uma árvore plantada por Seth, no túmulo de Adão. Uma árvore do Paraíso. Ela reaparecerá nos braços de Cristo, no Juízo Final.

Em Itabaiana, existia um grã-fino que trouxera uma relíquia de Jerusalém, uma lasca da Vera Cruz. Pagou uma verdadeira fortuna. Com o tempo, os cupins devoraram a relíquia.

Segundo Caminha, a denominação Terra da Vera Cruz foi ideia do próprio Cabral: “Ao monte alto o Capitão pôs o nome, Monte Pascoal, e à terra, a Terra da Vera Cruz.” Cabral não levou o Brasil a sério.

Como se sabe, as velas das naus portuguesas eram ornadas com uma Cruz de Malta (usada pelos cavaleiros Templários), símbolo indicador das missões marítimas de Portugal. Eles acreditavam ser o Quinto Império, em busca do Paraíso.

Os portugueses acreditavam ter chegado ao Paraíso, onde floresciam árvores semelhantes às que forneceram a madeira para verdadeira Cruz de Cristo, a Vera Cruz. A Cruz da Primeira Missa, presente na pintura de Victor Meirelles, foi madeira dessa mesma árvore.

Logo cedo, a Terra descoberta foi chamada de Brasil.

Brasil é um nome de origem francesa. “Bresill” é qualquer madeira de cor rubra, conhecida no oriente, desde a Idade Média. O nome francês se popularizou como “braisil”. Os piratas franceses vinham em busca de pau “bresill”, no Rio Real.

Não foi difícil para os franceses batizarem a nossa Ibirapitanga, madeira de cor vermelha, como pau "bresill". O nome anterior, Vera Cruz, foi uma gozação de Cabral.

Como não botaram um nome consistente na terra descoberta, viramos Brasil (ou Brazil), o nome francês da ibirapitanga, “bresill”, pau “braisil”.

Em Aracaju, o Dr. William Giovanni Soares faz uma bela homenagem aos franceses que passaram por Sergipe, antes dos portugueses, distribuindo e incentivando o plantio de mudas de pau Brasil.

Essas preciosidades poéticas sobre a história, a gente só encontra lendo João Ribeiro. Estou quase concordando com Gilberto Freire, que repetia quando encontrava um sergipano: grande em Sergipe não foi Tobias, grande foi João Ribeiro!

Antonio Samarone (médico sanitarista)

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