Sagrada Memória... (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 05 de Setembro, 2021

Na tradição popular, existem vários tipos de loucos: o que tinha tudo e tudo perdeu bruscamente; o que não tinha nada e tudo adquiriu sem transição; o louco doente mental, que alucina e delira, o louco de pedras e o que rasga dinheiro.

Sou um louco metafísico, transtorno já previsto no CID-11, que entra em vigor em janeiro.

Continuo acreditando nos veneráveis santos de barro de minha infância, quase todos milagreiros... Santos sem dia de festa. Acredito em São Nunca, no glorioso São Longuinho, em Jorge, o santo guerreiro, e em Santa Edwiges.

Acredito em Santa Dulce, pois fez o milagre da santificação em Itabaiana.

Acredito em anjinhos de procissão, no anjo da guarda, nos que morreram do mal dos setes dias, nos que estão Limbo, nos querubins e serafins, nos anjos decaídos e nos sonsos. Acredito nos anjos dos abismos insondáveis.

Não acredito em santo do pau oco. Muito menos, em santo de gesso, vendido em quitandas.

Continuo devoto do Padre Cícero e de Santo Antonio Fujão.

Sou grato ao Papa Francisco, por ter acabado com o inferno e com o purgatório. Já era tempo. Não sei o que farão com as almas penadas. Também não é da minha conta.

Acho que a crise climática é o soar da primeira trombeta e que o suicídio será coletivo.

Antonio Samarone (médico sanitarista)

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