A fé em Antonio. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 26 de Setembro, 2021

Fui batizado no dia do Natal e fiz a primeira comunhão no aniversário de sete anos. Tudo por promessa de mamãe, uma “Filha de Maria”, devota de Santo Antonio. Sou o primogênito, de uma família católica.

Em Itabaiana, só o bairrismo é maior do que a fé em Antonio, padroeiro e fundador da cidade. Nascemos Villa de Santo Antonio e Almas de Itabaiana.

Eu fui duplamente premiado com o nome do Santo, também por promessa. Recebi o nome dele de batismo, Fernando, e nome do Frade menor da ordem franciscana de Coimbra, Antonio. Ao nascer, fui Antonio Fernando. Depois, recebi a vulgar alcunha de Samarone. Essa é uma estória comprida e sem graça.

A minha alma só atende por Antonio Fernando, continua cumprindo a promessa.

Antes de virar Crente, mamãe sempre tinha promessas atrasadas, mas sempre pagou. Ela prometeu vestir luto fechado durantes as quaresmas, se ficasse curada da enxaqueca crônica, que lhe acompanhava desde menina. O crédito dessa promessa serviu também para a família.

Em Itabaiana, somos todos Antonio. Como diz o eterno canto: “O que seria de mim, meu Deus, sem fé em Antonio.”

O maior poeta português também recebeu o nome em homenagem ao Santo: Fernando Antonio Nogueira Pessoa. Ele, por ter nascido em 13 de junho. Fernando Pessoa venerava Santo Antonio e carregava no bolso uma estampa dele, mesmo não sendo religiosos.

As imagens de Santo Antonio que sobraram na Igreja Matriz de Itabaiana, carregam um resplendor de prata sobre a cabeça, flores e a cruz na mão direita. Na mão esquerda uma novidade, o menino Jesus está nu. Não carrega o cetro e coroa de Rei, das imagens convencionais.

É o Santo Antonio dos pobres. Não conheço a origem, vou perguntar ao doutor Vladimir.

O Santo também é guerreiro e casamenteiro, mas em Itabaiana ele é dos pobres e protege os caminhoneiros. Não sei se ainda existe o “pão de Santo Antonio”.

Santo Antonio nasceu em Lisboa (1195) e morreu em Pádua (13 de junho de 1231). Morreu de ergotismo, enfermidade antiga, causada por uma toxina produzida por fungos do centeio. A doença passou a se chamar Fogo de Santo Antonio.

Santo Antonio foi canonizado em 1232, pelo Papa Gregório IX.

Santo Antonio pregou aos sarracenos. Viajou à África moura em 1220, com o sonho de ser martirizado. Antecipou a saga de Dom Sebastião, em três séculos.

No Brasil, Santo Antonio é Vereador perpetuo em Igarassu, Pernambuco; ganhou a patente de Soldado na Paraíba e no Espírito Santo; Tenente em Pernambuco; Capitão na Bahia, Goiás, Minas e Rio de Janeiro; Coronel em São Paulo; e General do Exército Brasileiro, desde 1890, nomeado pelo Marechal Deodoro.

Em Itabaiana, lhes devemos atenções! Ele fugia da Igreja Velha, no Vale do Jacarecica, e escondia-se às sombras das quixabeiras, na Caatinga de Ayres da Rocha, onde a cidade se estabeleceu. Itabaiana fez parte da sesmaria doado a esse fidalgo, por ocasião da ocupação de Sergipe, em 1591.

Faço um apelo as autoridades de Itabaiana (civis, militares e eclesiásticas), vamos replantar a quixabeira, arrancada por ignorância e desleixo.

Antonio Samarone (médico sanitarista).

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