O Cansaço da Vida (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 15 de Outubro, 2021

“Navigare necesse, vivere non est necesse.” – Pompeu.

Deixei a longa e serena quarentena. Voltei a aglomerar. Fui a uma reunião ordinária do consulado itabaianenses, em Aracaju. Uma confraria de velhos amigos.

Nada mudou. Quem prestava continua prestando e quem não valia nada, continua sem valer.

A noitada foi agradável. O doutor Rômulo lançou mais um livro de poesias (ERATO). Uma arte que não se vende em feiras, nem nas de livros.

Itabaiana é uma antiga feitoria, onde a roda gira com os negócios. Uma terra onde o dinheiro é a alma e sobreviver uma arte. Uma terra onde o ócio é negado (Neg ócio).

Entretanto.

Itabaiana também possui os seus Bardos. Rômulo faz uma poesia universal, fala sobre a alma transcendental, que continua viva. Um merencório canto, que brota das profundezas do tronco cerebral, onde se produz a consciência.

A alma, o espírito, o Eu (self) são filhos do cérebro, da sua evolução metafisica. Foi o cérebro que criou o homem, em sua glória e em sua desdita. E quem criou o cérebro?

A melhor explicação é a de Darwin, mesmo sendo improvável.

“Chora a tarde, um choro tardio...” Disse o poeta Rômulo.

Retorno à quarentena, constatando: “que há sangue em cada estrela, que inda brilha alegre, por saber que morre”. – Santo Souza.

Antonio Samarone (médico sanitarista)

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