O MILHO EM SERGIPE - PARTE (I) POR MANOEL MOACIR COSTA MACÊDO E MÁRCIO ROGERS DE ALMEIDA MELO

Manoel Moacir, 17 de Setembro, 2021 - Atualizado em 17 de Setembro, 2021

 

O milho é uma espécie vegetal domesticada desde a Antiguidade pelos índios Astecas no México. A origem indígena significa “sustento da vida”. Grão de relevância nacional dada a importância econômica e social nas cadeias produtivas alimentares humana, animal e na bioenergia. Agrega perfis de agricultores com níveis diversos de sistemas de produção e disposição à inovação. Possui capilaridade espacial no território nacional, numa área plantada na safra 2020/2021, de 19 milhões de hectares em três safras de 85 milhões de toneladas produzidas. Cultivo de intensivo efeito multiplicador na renda dos municípios produtores, foi impulsionada no começo do século pela demanda externa do ciclo internacional das commodities e intensificada pelo crescimento das cadeias das carnes.

A cultura do milho se mostrou dinâmica e inovadora em Sergipe. A produção e produtividade deram um salto marcante a partir de 2006, superando as médias nordestinas e aproximando dos níveis de produtividade nacional. A cada ano, são anotados recordes de safra no Nordeste. Projeções da CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento em setembro, para a produção de 2021, estimam a primeira safra de 24,7, a segunda 59,4 e a terceira 1,5 milhões de toneladas de grãos respectivamente. Aqui em Sergipe, o destaque do cultivo é a terceira safra brasileira. A sua produtividade alcançou 4.180 kg/ha, mesmo com as restrições pluviométricas que dificultaram a expressão da produtividade de 5.843 kg/ha da safra 2019/20, mas, continua como a maior entre os estados nordestinos e próxima da média nacional de 4,316 kg/ha.

A explosão da adoção de tecnologias na produção do milho em Sergipe não foi ao acaso. Uma plêiade de agentes, à luz da receita da Revolução Verde, fomentaram os “pacotes tecnológicos” com sementes, insumos agropecuários e mercado comprador. Os estímulos públicos estadual e federal, também não são recentes. Ações de pesquisa, assistência técnica, extensão rural e crédito, iniciaram há quatro décadas passadas. Incentivos estatais, empreendedorismo dos produtores, vocação agrícola e solos férteis atiçaram a terceira safra de milho nas regiões Agreste e Semiárida de Sergipe. Com a continuada crise da citricultura estadual, o ambiente de adoção de tecnologia nos sistemas de produção do milho ganhou impulso como alternativa de cultura agrícola com potencial econômico, respondendo por 43% do valor bruto da produção agrícola estadual, seguido da laranja com 14% e cana-de-açúcar com 12%.

Na perspectiva dos produtores rurais, a satisfação é generalizada. Em 2021, afirmou um importante agente do setor que “a cultura do milho incorporou quase 4 mil operações de custeio, um montante de 400 milhões de reais, 58,5% de todo o crédito agrícola estadual. Em 2020, a safra de milho alcançou 840 mil toneladas e pela primeira vez representou um bilhão de reais em valor bruto da produção. Programa de Garantia da Atividade Agropecuária. Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural e aportes de recursos na equalização dos juros. A redenção do semiárido sergipano”.

De acordo com o último Censo Agropecuário de 2017, entre o período de 2006 a 2017 houve um deslocamento de 37.800 pessoas das atividades rurais. No mesmo período, foram incorporados 1.850 tratores. As inovações tecnológicas não são neutras, elas podem carregar externalidades positivas ou negativas.

O papel do Estado, embora esquecido e criticado como “burocrático e ineficiente”, tem sido o financiador, o estrategista, o regulador e supervisor da trajetória da produção ao consumo do milho em Sergipe. Recentemente, o Estado reduziu a alíquota do ICMS - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação de 12 para 2% para o milho cultivado em Sergipe, tornando-o mais competitivo. Para alguns especialistas, “não existe mercado, sem Estado que garanta um ambiente para seu florescimento”.

A vantagem comparativa do cultivo do milho em Sergipe, de acordo com especialistas no acompanhamento da produção agrícola estadual, deve-se “a especificidade da terceira safra, a comercialização com o estado de Pernambuco, maior produtor do Nordeste de frango e ovos, os fretes mais baratos quando comparados ao Oeste da Bahia e a autonomia dos produtores rurais na adoção de inovações. Mais que tudo isso, ao preço de R$ 100 a 120 reais por saco de 60 kg”. Adiante, continuaremos a contar as inovações e contradições da produção do milho em Sergipe.

 

Manoel Moacir Costa Macêdo e Márcio Rogers, são respectivamente engenheiro agrônomo e economista.

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