TRICOLOR DA SERRA, 82 ANOS!

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 11 de Julho, 2020 - Atualizado em 11 de Julho, 2020

TRICOLOR DA SERRA, 82 ANOS

Um dos maiores símbolos da Serrana Bela completou, no último dia dez, OITENTA E DOIS anos. Iniciou-se pela junção de BALÍPODO CLUB SANTA CRUZ, cujas cores eram o azul e o branco, com o BRASIL FOOTBALL CLUB, cujas cores eram o vermelho e o branco. Dessa fusão, nasce o tricolor, inicialmente chamado de BOTAFOGO SPORT CLUB que, em 1938, se transformaria em ITABIANA SPORT CLUB, para, em 1950, definitivamente, se tornar ASSOCIAÇÃO OLÍMPICA DE ITABAIANA, o nosso terrivelmente querido TREMENDÃO DA SERRA, com dez títulos no campeonato Sergipano e um nobilíssimo campeonato pela Copa do Nordeste.

Hoje, em que pese ser um dos motivos de honroso orgulho para os itabaianenses, o Tricolor da Serra tem enfrentado dias de baixa, com minguados vice-campeonatos sucessivos, deixando entalado, no gogó dos torcedores o entusiasmante “É CAMPEÃO”! O que se passa com essa agremiação desportiva tão longeva e tão brilhante que, nos idos do final de setenta e inícios de oitenta, nos brindou com o pentacampeonato? Estariam faltando alma e paixão? Não se pode culpar a torcida, pois esta tem demonstrado forte apoio e intenso carinho pelo time do coração. Reflitamos, ceboleiros, sobre as razões de não mais brilharmos no futebol, como outrora. O que poderemos fazer?

A torcida tem incentivado, doando-se, lutando e acompanhando, o quanto possível, as idas e vindas de nossa equipe. Mas, à associação falta algo, ainda não identificável, para que se torne quem já foi: “a alegria do povo, em casa ou distante, o ardor é o mesmo (..) que vibra no esporte com o seu tremendão”! A verve, que o embalou ao longo dos anos, parece arrefecida não sei por qual tapume. É preciso fazer o povo vibrar, sorrir, cantar e se orgulhar, pois numa porção próspera, como é o solo serrano, em que tudo progride e adquire novos ares, não é demais sonhar com a segunda, com a primeira Divisão do brasileiro. É preciso entender que “na vitória ou derrota, a disputa com luta e o abraço do irmão” fazem a diferença. Vamos nos ressignificar para continuar dando alegria a esse povo destemido, empreendedor, futurista e visionário, apaixonado pelas três cores que encerram os grandes objetivos da vida: doar o sangue, para galgar a paz e contemplar o céu.

Nos fins de semana, nosso maior divertimento é pôr o radinho ao ouvido cantar; “descendo a serra, jogando uma bola, com alma e paixão...” o Sangue ferve e a verve se encarrega de maestrar nossas tardes dominicais, rápidas como o vento. Quando a rapaziada entra em campo, não são apenas onze, mas uma nação inteira de serranos, cujo arsenal é a garra, a paixão, o encanto, o que nos permite sonhar, viajar nas asas de uma alegria inebriante, revendo nomes, revivendo momentos de glória, enlevando a alma ceboleira.

Não! Não é o cinema, nem são os parques, nem os shoppings que nos desviaram do Tricolor. Foi o seu desbotar-se que fez pesar sobre a torcida uma canga insuportável de não o vê levantar a taça, para “o abraço do irmão”. Nem tudo está perdido. é preciso recomeçar, arrumando a casa, limpando as arestas, porque o TREMENDÃO sempre foi signo sacrossanto da unidade, a energia que inexplicavelmente faz parte da nossa “itabaianidade”.

Está na hora de iniciar uma subida agigantada pela vontade de sair da série D e atingirmos a Série A, pois a elite não pode estar no desconhecido, no totalmente outro. Está na hora de acionar todo o potencial, canalizando-o unicamente à festa de taça, do futebol-arte. Aliás, se revisarmos nossa história, veremos que isso é possível.

De qualquer modo, o Tricolor é um dos grandes orgulhos desta Serrana Bela. Oitenta e dois anos são sinônimo de maturidade e não de caducidade. Afinal, no futebol, a vida pode (re)começar aos oitenta, porque “somos Itabaiana, cidade celeiro, que vibra no esporte com o seu tremendão”!

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