DIA DA SERGIPANIDADE

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 24 de Outubro, 2020 - Atualizado em 24 de Outubro, 2020

DIA DA SERGIPANIDADE

 

24 de outubro de 1820 ficou marcado na memória dos sergipanos como a data em que chegou ao Estado a notícia de sua emancipação, sua independência em relação ao Estado da Bahia, ato que se deu a 08 de julho 1820. Por muito tempo, permaneceram as duas datas celebrativas da independência de Sergipe, como feriados. Mas, por força das circunstâncias, 24 de outubro passou a celebrar a Sergipanidade, um termo novo para designar o modo de ser de cada sergipano nato ou adotado.

O que é Sergipanidade? O que a constitui? Em se tratando de um modo de ser, de se caracterizar como sergipana ou sergipano, o termo sugere alguns “mergulhos” nesse vasto manancial que constitui a cultura deste pequeno torrão cravado entre o São Francisco e a Bahia. Insta, pois, salientar alguns aspectos daquilo que pode se denominar jeito de viver Sergipe.

Em primeiro, é banhar-se nas águas de Atalaia, saborear o caranguejo, comer o amendoim cozido que vem de Candeias, Moita Bonita; é visitar a Colina e receber as bênçãos do Santo Casamenteiro; é pedir ajuda à Imaculada Conceição e ir aos Orixás, nos vários terreiros, para encetar a mistura de crenças; é dançar o miudinho, do xaxado, do xote e do baião, na Rua de São João; virar o ano na praia e participar na procissão do Bom Jesus. É comer rabada, em Capela, por ocasião da festa do Mastro, soltando trios de Bacamarte; assistir à congada e à Chegança, no Rosário e em Carmópolis, guerrear com cabacinhas, em Japaratuba; comer carne do sol, no Cedro de São João, comer peixe assado em Propriá e banhar-se nas águas escassas do Velho Chico; descer até Neópolis e participar no mela-mela do carnaval de rua.

Lambuzar-se no lambe sujo de Laranjeiras, pedir a bênção à Mãe Pastora, e contemplar as rendas irlandesas, na mesma Divina Ladeira, e participar da procissão do Senhor dos Passos, contempla o barroco, em São Cristóvão, berço de todos nós; contemplar os laranjais de Boquim, a produção agrícola no Treze, comer maniçoba e assistir ao Vira-vira em Lagarto; desfilar nas escolas de samba de Estância, e voar nos barcos de fogo; catar mangaba em Itaporanga, comprar roupas em Itabaianinha e em Tobias Barreto. Colher feijão em Poço Verde, milho em Simão Dias, em Carira, mergulhar nas águas de Xingó e maravilhar-se com o Cânions do São Francisco, visitar a Gruta do Angico, contemplar a Vaquejada em Porto da Folha e nas pegas de boi de Poço Redondo; andar na corrida de jegue, em Itabi, contemplar as fazendas leiteiras de Glória, com seus laticínios pujantes, ver as apartações e as obras de Veio; conhecer o museu do Capunga, em Moita, cumprimentar o cigano de Ribeirópolis, visitar o parque dos Falcões, subir a Serra, mergulhar no Poço das Moças, visitar a Igreja Velha, molhar os pés nos Poções da Ribeira e passear na grande feira e comer castanha do Carrilho, em Itabaiana, coração do Estado; conhecer o museu do Cangaço em Alagadiço, visitar as fazendas de gado de Pinhão e de Pedra Mole, sentir as quedas da Cachoeira de Macambira, as Serra de são José em Campo do Brito, e as casas de farinha de São Domingos, e arrastar o pé em Areia Branca.

A Sergipanidade está nas cores, nos ritmos, nos sons e na poesia. Está nas crenças e na postura de vida de uma gente determinada que aprendeu a vencer os desafios com a força do trabalho e da dignidade. Está no cordel, na prosa, do trio pé de serra, na banda de pífanos, no teatro de rua, nos desafios de meio de feira. Emerge no reisado, no samba de coco, no samba de roda, na embolada, na toada e no aboio, no Maculelê, na fanfarra e nas bandas de músicas. Está na Feijoada, na Moqueca, na buchada, pirão de osso de correr. Sergipanidade é identificar-se com esse chão sagrado que nos sustenta e nos propicia ser o que somos.

Parabéns cada sergipana ou sergipano nascido(a) ou adotado(a)! Que nossas raízes sejam cultivadas e preservadas, para dizermos não à cultura do descarte, importada e destruidora de identidade. Tenhamos orgulho de mostrar o que somos e o que vivemos, sem qualquer preconceito, certos de que o que nos une e nos faz diferentes é a SERGIPANIDADE.

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