ADEUS,JOÃO ALVES

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 25 de Novembro, 2020 - Atualizado em 25 de Novembro, 2020

ADEUS, JOÃO ALVES!

Sergipe perde um de seus filhos mais ilustres e apaixonados pelo torrão natal, o Dr. João Alves Filho. Engenheiro de formação, João Alves se despertou para a política, graças aos Movimentos Estudantis de outrora, que sempre aguçavam o sentido de cidadania e o interesse pela vida pública. Inicialmente, prefeito biônico de Aracaju, quando demonstrou capacidade administrativa, transformando a cidade numa Capital que nada devesse às demais, embora ainda pequenina. Foi eleito prefeito, com 76% dos votos válidos, o que confirmou sua primeira atuação como indicado pelo Governo dos Militares.

Aracaju, no seu segundo mandato, continuou recebendo benefícios, como caminhos novos ao turismo, ao desenvolvimento econômico e a avanços na saúde e na educação. É dele a ideia de novas avenidas, pontes e orla, para oferecer aos aracajuanos e aos visitantes lazer, mobilidade e bem-estar. A adutora do São Francisco para abastecer Aracaju nasceu de sua pena.

Mas foi no Sertão e no Agreste que o Governador João Alves desbravou caminhos novos, com cisternas, poços artesianos, água potável e luz elétrica para muitos povoados, melhorando significativamente a vida dos campesinos. Quantos sertanejos se obrigavam a viajar para o Sudeste, à procura de trabalho? A partir daí, as viagens diminuíram, pois começou a existir a possibilidade de convivência com a estiagem.

A Serrana Bela ganhou duas grandes barragens, Jacarecica e Caraíba, o que transformou a vida dos agricultores, que passaram a ter terra e água e luz elétrica, combinação perfeita para o salto econômico dos lavradores, com o advento da irrigação. Uma nova geografia rural foi surgindo com a construção de casas de alvenaria, a aquisição de moto, de carros, de aparelhos domésticos de qualidade... tudo foi produto das barragens que João da água construiu. Bem assim, em Lagarto: houve melhorias significativas.

Defensor do Rio São Francisco, João lutou para que a transposição de suas águas só se desse após competente projeto de revitalização do Rio que agora agoniza. Palestras, seminários, livros, debates aguerridos foram por ele protagonizados, a fim de evitar o mal irremediável, que é a morte do Velho Chico.

João era de direita, conservador, mas valoroso empreendedor público. Um de seus princípios era a fidelidade partidária. Filiado ao antigo PFL, depois DEM, jamais arredou o pé de sua agremiação. Popularizou-se por suas grandes obras, em todos os recantos de Sergipe: de Aracaju a Carira, de Canindé a Tobias Barreto. Como esquecer o Platô de Neópolis, que transformou a economia no Baixo São Francisco? Assim, João foi ganhando apodos: João da água, João do Sertão, João da luz no campo, João do Platô, João das grandes obras... dentre elas, a Ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros, que revolucionou o município da Ilha.

João vai, ainda muito cedo, mas deixa seu nome gravado nas inúmeras obras que empreendeu. Novos sergipanos, que só o conhecerão de ouvir dizer, saberão que no solo sergipano pisou um aracajuano sertanejo, trabalhador, apaixonado por política, por água, por terra, por desenvolvimento, por obras estruturantes... poderão até discordar de suas ideias, mas deverão, sempre, respeitar a memória de um homem público que transformou Sergipe.

Adeus, João Alves! Obrigado, por seus feitos. Que Deus o Acolha na Festa da Eternidade, onde as obras cessam e a Luz brilha, no Aconchego do Senhor. Sergipe lhe é agradecido! Sergipe lhe é agradecido! Descanse em Paz!

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