PADRE PEIXOTO, 36 ANOS DE MINISTÉRIO: de roceiro a Pastor

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 25 de Julho, 2021 - Atualizado em 25 de Julho, 2021

PADRE PEIXOTO, 36 ANOS DE MINISTÉRIO: de Roceiro a Pastor

Em cada encontro, um sorriso e uma mística diferenciada, pautada pela certeza de se estar diante do Tremendo, do terrivelmente Santo, do Outro, de quem tudo promana. É a mística encetada pela ascese de quem, diuturnamente, se debruça ante o Mistério, para haurir, no escandir das horas, as razões para conduzir, pastorear e indicar o Caminho. Os que se dedicam a Deus, na pessoa do próximo, estão sempre de largo sorriso, pois se reconhecem plenamente realizados pelo simples fato de servirem a Deus. A Trindade Santíssima é a medida de todo o agir cristão, mormente dos místicos. É Deus quem providencia o inimaginável.

Nascido no Cajueiro, com grandes chances de se tornar mero puxador de enxada, ou, o máximo a que se podia chegar, na mundividência de outrora,  ser dono de umas tarefas de terra, para plantar inhame e mandioca, o suficiente para a penosa subsistência de um tempo desumano e ingrato. A rudez inundava de conformismos a mente tacanha dos que ali nasciam, viviam e morriam. Quem se aventurasse a singrar novos mares, descortinar horizontes distantes, era tido como doido, preguiçoso, por não se esfolar no cabo da enxada. Padre Peixoto, à época, apenas Tonho de Basto, teve uma sábia Maria, por mãe e mestra, que o impulsionou às letras que estariam acima de seu contexto. Haveria de deixar a malhada, para se lastrear em solo mais alvissareiro e promissor. Ai de quem não sonha!

O Seu genitor, homem admiravelmente sábio e astuto, não era empreendedor, nem visionário. Dava-se por satisfeito com o que conseguiu arranjar, já na fase adulta: uma beirinha de terra, uma esposa dedicada e uma família farta em filhos, a fim de progredir na milenar arte de cultivar a terra, sem novas técnicas, sem transformações. A depender dele, a “sina” seria mesmo a de ver seus filhos acomodarem-se no entorno de seu torrão, para darem continuidade a uma vida sem sonhos, sem conquistas, sem reviravoltas ou guinada. Uma coisa lhe importava: ler e fazer cordéis, com os quais se divertia e tirava “sarro” das vicissitudes alheias. Sabia interpretar o presente, dele tirando gracejos e lições, mas não se lançava aos ventos futuros, por mero acanhamento e insegurança.

Padre Peixoto, desde a mais tenra infância, inclinava-se à missão sacerdotal, pois se sentia chamado ao Santo Serviço de apontar o Reino as diversas parcelas do Povo de Deus. Disposto, mergulhou no mundo acadêmico, destacando-se nos primeiros lugares, embora também trabalhasse para se manter. Estudar e trabalhar sempre foram suas maiores ocupações, além do prazeroso hábito de se prostrar diante do Senhor, para uma conversa aberta, franca e íntima. Em presença do Mistério, refazia suas forças e recobrava o ânimo de se preparar para servir, para ser seta, apontando o Reino. Entanto, sua infância e juventude seguiram os padrões da normalidade de seu tempo.

Trabalhou no comércio e, numa vontade ensandecida de vencer, de voar mais alto, partiu para São Paulo, nas asas oníricas de quem não se acomoda jamais. “Viver é lutar”, conforme diz o poeta. E ele buscou lutar para viver e viver para se entregar à luta diária. Tornou-se operário, metalúrgico, em situações que beiravam à desumanidade, numa terra fria e distante de seus costumes e de seu ninho. Mas, se foi ele mesmo quem se aventurou a deixar para trás a vidinha pacata da malhada, teria de se desdobrar para conseguir melhorias, mesmo em situação quase inóspita, que se assemelhava à repugnância perversa. Ainda assim, veio a faculdade de Direito, por dois períodos. Era já chefe, gerente de produção, numa fábrica japonesa, em São Bernardo do Campo.

A inconformidade batia-lhe à janela da alma, incitando-o a novos voos, destarte, bem mais exigentes, embora em estreita conformidade com os sonhos pueris. Era a insistência do Alto dando-lhe Novas de que o intento de outrora estaria se avizinhando. E ele deixou o comando de muitos operários, para se fazer Operário do Reino, no Carisma da Eucaristia. Há trinta e seis anos, tornou-se Padre, num 26 de julho, dia de Santana, dia dos avós. Aliou espiritualidade e sabedoria, experiência de vida, ascese e serenidade, sem perder a verve de se atirar ao largo, em águas mais profundas. Tornou-se o padre da música, dos jovens, dos enfermos, dos meios de comunicação, das aulas espetaculares de Bíblia (fazendo jus ao Mestrado), nos Seminários, além das brilhantes e convincentes homilias e palestras ministradas em todo o país, por onde é convidado a pregar retiros espirituais.

De agricultor a Pastor da Grei do Senhor, numa atitude sempre despojada de quem é plenamente desprogramado, para servir plenamente o Povo de Deus. Sua agenda tem páginas soltas, dispostas a acrescer, para sobrar tempo para todos. Seu dia tem umas horas a mais; seu mês, dias; e seu ano, meses. Importa-lhe acolher, compreender, orientar e servir. Não há, em sua invejável mente, espaço para burocratismos, hermetismos e legalismos. Apresenta-se sempre com uma palavra irrigada de saber, serenidade, mística e sorriso. O menino que nasceu num cenário bucólico, campesino, tornou-se, à semelhança de Amós, Pastor em terras desconhecidas, para proclamar a tão conhecida Vontade de Deus a Seu Povo. Cumprida sua missão alhures, retornou a Sergipe, onde faz florescer o Reino, com seus préstimos de exímio cultivador na Messe do Senhor.

Parabéns, Padre Peixoto! Felicidades! Deus o recompense.

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