Lançada pela BRABA Music, BRABA Beats oferece instrumentais criados exclusivamente por produtoras. Cada base custa R$100 — valor “social” da empresa — e conecta produtoras a artistas independentes, principalmente mulheres e pessoas LGBTQIAPN+.
A produção musical segue como um dos territórios mais masculinos da indústria, e a BRABA Beats nasce para mexer nesse cenário. Lançada pela BRABA Music, a plataforma digital vende instrumentais produzidos exclusivamente por mulheres e conecta essas produtoras a artistas independentes, em especial mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. Cada beat custa R$ 100, um valor que a empresa chama de:
“social”
A loja já está no ar e propõe um circuito direto entre quem cria os instrumentais e quem busca bases para seus projetos. O modelo funciona como um marketplace: produtoras cadastram seus instrumentais e artistas compram os beats para desenvolver os próprios trabalhos. A proposta cria uma fonte de receita direta para as beatmakers e, ao mesmo tempo, dá às artistas acesso a produções feitas por profissionais que compartilham suas vivências e referências.
A plataforma foi desenvolvida por Gisele Tavares, fundadora do Ciber Café, responsável pela construção tecnológica da ferramenta. Essa escolha amplia a proposta do projeto: não só colocar mulheres na criação musical, mas também envolvê-las no desenvolvimento de tecnologia aplicada ao mercado da música.
A iniciativa é da BRABA Music, selo e produtora cultural dedicada ao desenvolvimento de carreiras de mulheres e artistas LGBTQIAPN+ na música urbana, com foco no rap e no funk. A empresa foi fundada por Andressa Versa, a MC Versa, artista, produtora cultural e estrategista musical. Vinda das batalhas de rima e com trajetória ligada a Santa Catarina, Versa construiu carreira independente, lançou em 2024 o álbum de estreia “Gostosa & Brilhando” — com participação de Juju Rude — e traz para a iniciativa a experiência de quem conheceu barreiras do setor.
Os números que justificam a ação são expressivos: segundo levantamento anual da USC Annenberg Inclusion Initiative, as mulheres foram apenas 4,4% dos produtores das músicas do ranking anual da Billboard Hot 100 em 2025, abaixo dos 5,9% de 2024. Em mais de 90% das cerca de 1.400 canções analisadas ao longo de 11 anos, não havia nenhuma mulher na produção. No Brasil, o estudo “Por Elas Que Fazem a Música”, da UBC, indica que as mulheres recebem cerca de 10% dos direitos autorais distribuídos no país, e que a produção de fonogramas responde por apenas 1% dos ganhos delas na entidade.
Com a BRABA Beats, a empresa chega a um ponto anterior da cadeia produtiva: o beat, base sobre a qual boa parte do rap e do funk é construída. Muitas artistas esbarram nesse primeiro obstáculo ao buscar produções de qualidade, a preço acessível e feitas por pessoas que entendem seu universo. Ao reunir produtoras e artistas no mesmo espaço, a BRABA tenta fechar esse ciclo dentro do próprio ecossistema, ampliando ferramentas, conexões e oportunidades para que mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ atuem como criadoras, profissionais e empreendedoras na indústria musical.
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