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Buscas por canetas emagrecedoras irregulares disparam e preocupam

Estudo aponta aumento na busca por canetas emagrecedoras irregulares no Brasil.

15/08/2026 · 11h29
Buscas por canetas emagrecedoras irregulares disparam e preocupam

Medicamentos com semaglutida e tirzepatida atraem interesse crescente, mas alimentam a venda ilegal de injetáveis sem autorização sanitária. Estudo aponta desinformação, automedicação e risco à saúde.

Medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic, Rybelsus e Wegovy, e de tirzepatida, como Mounjaro, despertam grande interesse da população pela eficácia no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Essa demanda, porém, também elevou as buscas por produtos ainda sem autorização sanitária, comercializados ilegalmente na internet, o que representa risco à saúde dos consumidores.

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O estudo Saúde em risco na era digital: desinformação, automedicação e busca por canetas emagrecedoras não autorizadas no Brasil, realizado por pesquisadores do Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde (Nechs), analisou o comportamento de busca relativo a cinco canetas emagrecedoras sem registro sanitário no país: T.G., Tirzec, Lipoless, Lipoland e Retatrutida. A ausência de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) significa que não há garantia de que a composição informada no rótulo corresponda ao conteúdo do produto, nem de que atendam aos padrões de qualidade e segurança exigidos.

O trabalho também destaca que a Anvisa alertou para o caso da retatrutida, que está em fase de pesquisa clínica e não foi aprovada para uso terapêutico em nenhum país.

Os resultados revelaram aumento no interesse por esses medicamentos ao longo do período analisado. Após um intervalo inicial de estabilidade, as buscas cresceram continuamente de junho de 2025 a janeiro de 2026, com alta média de 6,29% por semana. Houve estabilização posterior, mas em patamar elevado.

O crescimento evidencia a influência do ambiente digital na procura por tratamentos para emagrecimento, com redes sociais, aplicativos de mensagens e mecanismos de busca em papel central na circulação de informações e de desinformação. Os dados, porém, não permitem determinar quantas dessas buscas resultaram efetivamente em compras.

A análise apontou ainda diferenças regionais significativas. Mato Grosso do Sul registrou o maior volume proporcional de buscas, com 88,9 pesquisas por milhão de habitantes, seguido por Mato Grosso (48,8), Distrito Federal (39,0), Alagoas (33,2) e Acre (29,4). Na outra ponta, Amapá (1,2), São Paulo (2,5), Rio de Janeiro (3,6) e Minas Gerais (4,0) tiveram os menores índices de interesse.

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Apreensões crescem e chegam a R$ 51 milhões

A explosão das buscas on-line por informações sobre canetas emagrecedoras ocorreu em paralelo ao crescimento das apreensões feitas por autoridades brasileiras. A Polícia Federal destacou que Mato Grosso do Sul é uma das principais rotas de entrada e distribuição de medicamentos sem autorização sanitária, com cerca de 60% das apreensões do país. Em 2024, a Receita Federal apreendeu cerca de 2.700 unidades identificadas como “canetas emagrecedoras”. O número saltou para aproximadamente 32 mil unidades em 2025 e chegou a 25 mil apenas nos dois primeiros meses de 2026, totalizando cerca de R$ 51 milhões em produtos retidos desde 2024.

A venda de medicamentos falsificados ou sem aprovação sanitária para emagrecimento representa ameaça crescente à saúde pública. No Reino Unido, foram registradas notificações de pancreatite e óbitos associados ao uso de alguns produtos oferecidos em redes sociais. No Brasil, a Anvisa investiga eventos adversos e mortes relacionados ao uso de produtos não aprovados.

Em julho de 2025, a Eli Lilly alertou para a circulação de versões falsificadas ou não aprovadas de medicamentos à base de tirzepatida, como Lipoless, T.G. e Tirzec, e enfatizou que essas alternativas não são equivalentes ao Mounjaro e podem conter dosagens incorretas ou até não ter o princípio ativo.

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O termo “canetas emagrecedoras” se consolidou no discurso público e é amplamente usado pela imprensa e pela população para designar medicamentos destinados ao emagrecimento. A expressão, no entanto, não abrange toda a complexidade desse mercado, que inclui produtos comercializados ilegalmente em diferentes apresentações, como frascos e ampolas.

As buscas na internet fornecem pistas digitais capazes de revelar mudanças no comportamento da população antes que se tornem visíveis nos sistemas tradicionais de vigilância. Para os pesquisadores, essas evidências reforçam o potencial da epidemiologia digital e da infodemiologia como ferramentas complementares à vigilância sanitária e podem subsidiar políticas públicas mais eficazes e a regulação das plataformas.

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Medicamentos com semaglutida e tirzepatida atraem interesse crescente, mas alimentam a venda ilegal de injetáveis sem autorização sanitária. Estudo aponta desinformação, automedicação e risco à saúde.

Medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic, Rybelsus e Wegovy, e de tirzepatida, como Mounjaro, despertam grande interesse da população pela eficácia no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Essa demanda, porém, também elevou as buscas por produtos ainda sem autorização sanitária, comercializados ilegalmente na internet, o que representa risco à saúde dos consumidores.

O estudo Saúde em risco na era digital: desinformação, automedicação e busca por canetas emagrecedoras não autorizadas no Brasil, realizado por pesquisadores do Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde (Nechs), analisou o comportamento de busca relativo a cinco canetas emagrecedoras sem registro sanitário no país: T.G., Tirzec, Lipoless, Lipoland e Retatrutida. A ausência de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) significa que não há garantia de que a composição informada no rótulo corresponda ao conteúdo do produto, nem de que atendam aos padrões de qualidade e segurança exigidos.

O trabalho também destaca que a Anvisa alertou para o caso da retatrutida, que está em fase de pesquisa clínica e não foi aprovada para uso terapêutico em nenhum país.

Os resultados revelaram aumento no interesse por esses medicamentos ao longo do período analisado. Após um intervalo inicial de estabilidade, as buscas cresceram continuamente de junho de 2025 a janeiro de 2026, com alta média de 6,29% por semana. Houve estabilização posterior, mas em patamar elevado.

O crescimento evidencia a influência do ambiente digital na procura por tratamentos para emagrecimento, com redes sociais, aplicativos de mensagens e mecanismos de busca em papel central na circulação de informações e de desinformação. Os dados, porém, não permitem determinar quantas dessas buscas resultaram efetivamente em compras.

A análise apontou ainda diferenças regionais significativas. Mato Grosso do Sul registrou o maior volume proporcional de buscas, com 88,9 pesquisas por milhão de habitantes, seguido por Mato Grosso (48,8), Distrito Federal (39,0), Alagoas (33,2) e Acre (29,4). Na outra ponta, Amapá (1,2), São Paulo (2,5), Rio de Janeiro (3,6) e Minas Gerais (4,0) tiveram os menores índices de interesse.

Apreensões crescem e chegam a R$ 51 milhões

A explosão das buscas on-line por informações sobre canetas emagrecedoras ocorreu em paralelo ao crescimento das apreensões feitas por autoridades brasileiras. A Polícia Federal destacou que Mato Grosso do Sul é uma das principais rotas de entrada e distribuição de medicamentos sem autorização sanitária, com cerca de 60% das apreensões do país. Em 2024, a Receita Federal apreendeu cerca de 2.700 unidades identificadas como “canetas emagrecedoras”. O número saltou para aproximadamente 32 mil unidades em 2025 e chegou a 25 mil apenas nos dois primeiros meses de 2026, totalizando cerca de R$ 51 milhões em produtos retidos desde 2024.

A venda de medicamentos falsificados ou sem aprovação sanitária para emagrecimento representa ameaça crescente à saúde pública. No Reino Unido, foram registradas notificações de pancreatite e óbitos associados ao uso de alguns produtos oferecidos em redes sociais. No Brasil, a Anvisa investiga eventos adversos e mortes relacionados ao uso de produtos não aprovados.

Em julho de 2025, a Eli Lilly alertou para a circulação de versões falsificadas ou não aprovadas de medicamentos à base de tirzepatida, como Lipoless, T.G. e Tirzec, e enfatizou que essas alternativas não são equivalentes ao Mounjaro e podem conter dosagens incorretas ou até não ter o princípio ativo.

O termo “canetas emagrecedoras” se consolidou no discurso público e é amplamente usado pela imprensa e pela população para designar medicamentos destinados ao emagrecimento. A expressão, no entanto, não abrange toda a complexidade desse mercado, que inclui produtos comercializados ilegalmente em diferentes apresentações, como frascos e ampolas.

As buscas na internet fornecem pistas digitais capazes de revelar mudanças no comportamento da população antes que se tornem visíveis nos sistemas tradicionais de vigilância. Para os pesquisadores, essas evidências reforçam o potencial da epidemiologia digital e da infodemiologia como ferramentas complementares à vigilância sanitária e podem subsidiar políticas públicas mais eficazes e a regulação das plataformas.

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