O Movimento Baía Viva, o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social da UFRJ (Nides/UFRJ) e a Petrobras vão apresentar, na próxima sexta-feira (17), as ações do novo Centro de Formação em Economia do Mar Baía de Guanabara. O espaço terá sede no Hangar Náutico da UFRJ, na Ilha do Fundão, e destina-se à capacitação de moradores das áreas próximas à baía e de municípios vizinhos.
O centro atenderá prioritariamente populações dos arredores da Baía de Guanabara e residentes de Itaboraí, Magé, Maricá, São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias e Guapimirim. O público-alvo inclui grupos em vulnerabilidade socioeconômica e socioambiental, comunidades tradicionais como pescadores, povos indígenas e quilombolas.
Segundo o ecologista Sérgio Ricardo Lima, cofundador do Movimento Baía Viva e coordenador do centro, a proposta da chamada “Universidade do Mar” ganhou impulso a partir de 2018 com a formação de uma coalizão que reuniu 104 cartas de apoio institucional das reitorias do estado do Rio de Janeiro. Entre os apoiadores estão a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de dezenas de pesquisadores e associações de pescadores.
O projeto foi selecionado na linha de desenvolvimento econômico sustentável com a retomada do edital socioambiental da Petrobras. A proposta prevê obras no Hangar Náutico durante o primeiro semestre e oferta gratuita de cursos e oficinas de extensão e formação até 2028.
Estrutura e oferta formativa
O hangar terá alojamento para 30 pessoas vindas de outros municípios ou estados, com refeitório, cozinha e três salas grandes para ensino, cada uma com capacidade para 40 alunos. A expectativa é que em quatro ou cinco meses a instalação possa receber 120 alunos por turno. Até 2028 serão oferecidos dez cursos e oficinas, com certificação emitida pela UFRJ válida em todo o país.
Entre as formações previstas está o curso Aprendiz da Carpintaria Naval Artesanal, com professores-pesquisadores da UFRJ e mestres artesãos, voltado para pescadores artesanais da Baía de Guanabara. O objetivo é recuperar e transmitir técnicas de construção e reforma de embarcações tradicionais.

Mapeamento e objetivos
Professores e pesquisadores das instituições parceiras realizarão um diagnóstico participativo nos sete municípios atendidos, com mapeamento de políticas públicas nas áreas de economia do mar, economia solidária e bioeconomia, além de inventariar iniciativas da sociedade civil. Bolsistas de diversas áreas serão contratados para executar esse levantamento.
O projeto também envolve observatórios já existentes, como o do Canal do Cunha, vinculado à Fiocruz, e o observatório de São Gonçalo, ligado ao Departamento de Geografia da UFF. A iniciativa busca fortalecer ações que melhorem renda e condições de vida das comunidades e fomentar a criação de um Arranjo Produtivo Local Sustentável (APLS) na bacia hidrográfica da Baía de Guanabara.
Além da carpintaria naval, estão previstas oficinas de Agroecologia e Sistemas Agroalimentares (incluindo meliponicultura, viveiristas e quintais produtivos), Turismo de Base Comunitária, Empreendedorismo Solidário Sustentável, Extensão Pesqueira e Inclusão Socioprodutiva, Tecnologias Sociais para Mulheres Pescadoras, Ensino Profissional Marítimo (EPM) ministrado por instrutores da Capitania dos Portos (Marinha do Brasil), mecânica de motor de barco e operador de drones. Informações sobre cursos e oficinas estão disponíveis no site CFEcoMarBG e nas redes sociais do projeto.
Com informações de Agência Brasil
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