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Cinco biomas sustentam o Pantanal diante da crise climática

Pantanal depende da influência de cinco biomas; perda de mais de 1 milhão de hectares na Savana Alagada e iniciativas de restauração buscam reverter o quadro.

30/08/2026 · 16h54
Cinco biomas sustentam o Pantanal diante da crise climática

Menor em extensão, o Pantanal recebe água e pressões do Cerrado, da Amazônia, da Mata Atlântica, do Chaco e do Bosque Chiquitano. O encontro dos rios cria um grande reservatório de vida, mas amplia a vulnerabilidade ao clima e ao uso da terra.

O Pantanal é o bioma brasileiro de menor extensão e o que mais recebe influência de vizinhos: Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, no Brasil, além do Chaco e do Bosque Chiquitano, na Bolívia e no Paraguai. Rios e vazantes percorrem longas distâncias até formar a maior planície alagável do mundo.

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Para especialistas e lideranças locais, essa mesma dependência das águas que vêm de fora torna o bioma vulnerável às mudanças climáticas e às transformações no uso da terra.

É uma planície que depende da reação e das causas nos outros biomas e é afetada por toda essa situação. Ainda mais com as mudanças climáticas atuando também no entorno dele

Savana alagada perdeu 1 milhão de hectares

Dados do último mapa de uso e cobertura da terra do MapBiomas mostram que, em 2025, a savana alagada no Pantanal já havia perdido mais de 1 milhão de hectares na comparação com o início da série histórica, em 1985.

A área corresponde a 84% do que existia de savana alagada no bioma. A maior parte, 833 mil hectares, foi convertida em outras formações, como savânica ou campestre. Na prática, áreas do Pantanal estão secando, e rios e canais apresentam menor vazão.

Partes de rios já sumiram, assorearam. Lugares que a gente chama de vazantes, que são partes que o rio enche e esvazia, hoje não existem mais, e os rios estão bem fracos

Restauração começa nas nascentes

O relato é de um engenheiro florestal e botânico nascido na Terra Indígena Limão Verde, em Aquidauana (MS), que lembra a abundância de água que enriquecia o solo e tornava a região propícia ao cultivo.

Com base no conhecimento tradicional, ele participou de um projeto de restauração de 3,3 hectares de nascentes dentro da terra indígena. O objetivo é garantir que a água que corre para o Pantanal mantenha produtivo o trecho de Cerrado que alimenta o bioma.

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São coisas que eu aprendi de pequeno. Vamos construir aqui uma casa, essa madeira, essa espécie é boa para isso. Vamos procurar umas plantas medicinais. Essa árvore serve para isso, a casca, o fruto, a folha e a raiz, cada um serve para alguma necessidade

Coleta de sementes com regra de manejo

Na comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão (MS), um coletor de sementes integrante da Rede Flores do Cerrado trabalha com regras de manejo para viabilizar a restauração das margens de rios além do próprio território. A rede reúne 31 coletores, 16 mulheres e 15 homens, e adota práticas como deixar 30% das sementes nas árvores.

A gente coleta para atender outros projetos do Estado. Somos 31 coletores e coletoras, sendo 16 mulheres e 15 homens, e trabalhamos com regras básicas de coletor, de deixar 30% da semente na árvore. Não chega e pega tudo

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Hidrelétricas e biodiversidade

Organizações que atuam na região afirmam que as iniciativas nas cabeceiras procuram frear o soterramento das nascentes e recuperar o fluxo dos afluentes que escoam para o Pantanal.

Há também projetos de conscientização sobre o uso dos corpos de água, como a instalação de pequenas centrais hidrelétricas, que fragmentam rios e afetam a biodiversidade aquática e a economia ligada ao turismo.

A energia elétrica tem que vir de outras fontes, por exemplo a solar, que é uma das mais adequadas para a região, já que pequenas centrais hidrelétricas não trazem recursos econômicos nem para o governo nem para as populações locais

Corredores e onça-pintada

Dentro do bioma, as ações se concentram no combate a incêndios florestais e na conectividade da vegetação nativa, com corredores entre unidades de conservação. A estratégia busca fortalecer espécies-chave como a onça-pintada, indicador da integridade da biodiversidade.

O conhecimento tradicional dos povos que vivem no Pantanal é apontado como peça central para orientar as medidas de conservação.

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Menor em extensão, o Pantanal recebe água e pressões do Cerrado, da Amazônia, da Mata Atlântica, do Chaco e do Bosque Chiquitano. O encontro dos rios cria um grande reservatório de vida, mas amplia a vulnerabilidade ao clima e ao uso da terra.

O Pantanal é o bioma brasileiro de menor extensão e o que mais recebe influência de vizinhos: Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, no Brasil, além do Chaco e do Bosque Chiquitano, na Bolívia e no Paraguai. Rios e vazantes percorrem longas distâncias até formar a maior planície alagável do mundo.

Para especialistas e lideranças locais, essa mesma dependência das águas que vêm de fora torna o bioma vulnerável às mudanças climáticas e às transformações no uso da terra.

É uma planície que depende da reação e das causas nos outros biomas e é afetada por toda essa situação. Ainda mais com as mudanças climáticas atuando também no entorno dele

Savana alagada perdeu 1 milhão de hectares

Dados do último mapa de uso e cobertura da terra do MapBiomas mostram que, em 2025, a savana alagada no Pantanal já havia perdido mais de 1 milhão de hectares na comparação com o início da série histórica, em 1985.

A área corresponde a 84% do que existia de savana alagada no bioma. A maior parte, 833 mil hectares, foi convertida em outras formações, como savânica ou campestre. Na prática, áreas do Pantanal estão secando, e rios e canais apresentam menor vazão.

Partes de rios já sumiram, assorearam. Lugares que a gente chama de vazantes, que são partes que o rio enche e esvazia, hoje não existem mais, e os rios estão bem fracos

Restauração começa nas nascentes

O relato é de um engenheiro florestal e botânico nascido na Terra Indígena Limão Verde, em Aquidauana (MS), que lembra a abundância de água que enriquecia o solo e tornava a região propícia ao cultivo.

Com base no conhecimento tradicional, ele participou de um projeto de restauração de 3,3 hectares de nascentes dentro da terra indígena. O objetivo é garantir que a água que corre para o Pantanal mantenha produtivo o trecho de Cerrado que alimenta o bioma.

São coisas que eu aprendi de pequeno. Vamos construir aqui uma casa, essa madeira, essa espécie é boa para isso. Vamos procurar umas plantas medicinais. Essa árvore serve para isso, a casca, o fruto, a folha e a raiz, cada um serve para alguma necessidade

Coleta de sementes com regra de manejo

Na comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão (MS), um coletor de sementes integrante da Rede Flores do Cerrado trabalha com regras de manejo para viabilizar a restauração das margens de rios além do próprio território. A rede reúne 31 coletores, 16 mulheres e 15 homens, e adota práticas como deixar 30% das sementes nas árvores.

A gente coleta para atender outros projetos do Estado. Somos 31 coletores e coletoras, sendo 16 mulheres e 15 homens, e trabalhamos com regras básicas de coletor, de deixar 30% da semente na árvore. Não chega e pega tudo

Hidrelétricas e biodiversidade

Organizações que atuam na região afirmam que as iniciativas nas cabeceiras procuram frear o soterramento das nascentes e recuperar o fluxo dos afluentes que escoam para o Pantanal.

Há também projetos de conscientização sobre o uso dos corpos de água, como a instalação de pequenas centrais hidrelétricas, que fragmentam rios e afetam a biodiversidade aquática e a economia ligada ao turismo.

A energia elétrica tem que vir de outras fontes, por exemplo a solar, que é uma das mais adequadas para a região, já que pequenas centrais hidrelétricas não trazem recursos econômicos nem para o governo nem para as populações locais

Corredores e onça-pintada

Dentro do bioma, as ações se concentram no combate a incêndios florestais e na conectividade da vegetação nativa, com corredores entre unidades de conservação. A estratégia busca fortalecer espécies-chave como a onça-pintada, indicador da integridade da biodiversidade.

O conhecimento tradicional dos povos que vivem no Pantanal é apontado como peça central para orientar as medidas de conservação.

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