A decisão da Fifa de suspender a punição ao atacante Folarin Balogun, permitindo que ele jogue pela seleção dos Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica, gerou uma onda de reações no futebol internacional.
Balogun havia recebido um cartão vermelho na partida contra a Bósnia e Herzegovina e, segundo as regras, deveria cumprir suspensão automática. No entanto, a Fifa utilizou um dispositivo do Código Disciplinar para suspender a sanção por um ano, após um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente da Fifa, Gianni Infantino.
A medida provocou críticas de dirigentes, federações e treinadores em todo o mundo. A Uefa, por exemplo, foi uma das entidades que mais se manifestou, afirmando que a Fifa “cruzou uma linha vermelha” ao abrir uma exceção para Balogun. A Uefa ressaltou que a suspensão automática após um cartão vermelho é uma regra objetiva e não deve ser flexibilizada, alertando que essa decisão compromete a integridade da competição e cria um precedente perigoso.
A Federação Belga de Futebol também se manifestou, afirmando que a decisão contraria o próprio Código Disciplinar da Fifa. De acordo com a entidade, o artigo 66 estabelece que um cartão vermelho resulta em suspensão automática para a próxima partida, o que foi aplicado em todos os outros casos durante o torneio.
O presidente da Federação Alemã de Futebol, Bernd Neuendorf, exigiu esclarecimentos da Fifa sobre a suposta ligação entre Trump e Infantino que teria influenciado a decisão. Neuendorf destacou a importância de afastar qualquer impressão de interferência política no esporte.
“Não sabia que, na Copa do Mundo, o dia 5 de julho havia se transformado em 1º de abril”, ironizou o técnico da Bélgica, Rudi Garcia, referindo-se ao Dia da Mentira e destacando que a discussão vai além da seleção belga, envolvendo a defesa das regras do futebol.
Sepp Blatter, ex-presidente da Fifa, também criticou a medida, afirmando que cartões vermelhos não podem ser revertidos por “telefonemas políticos”, mas somente por regras e órgãos independentes. Para Blatter, o futebol não deve se tornar um “playground para o poder político”.
O técnico da seleção da Inglaterra, Thomas Tuchel, questionou os critérios utilizados para reverter a suspensão. Ele ressaltou que o árbitro e a equipe do VAR decidiram que o lance merecia cartão vermelho, e essa decisão deveria ser respeitada.
“O que me intriga é quem pode reverter essa decisão, quando isso acontece e com base em quais critérios. Queremos consistência”, afirmou Tuchel.
O treinador da Noruega, Ståle Solbakken, classificou a decisão como um erro grave que prejudica a credibilidade da Copa do Mundo. Ele observou que, caso os Estados Unidos vençam a Bélgica, a polêmica sobre a suspensão de Balogun sempre acompanhará a campanha da seleção.
Glenn Micallef, comissário europeu do esporte, também se manifestou, afirmando que a decisão de suspender a punição de Balogun foi errada. Micallef enfatizou que a autonomia do esporte deve ser preservada e que decisões esportivas não devem ser influenciadas por políticos.
Por fim, o ex-técnico do Liverpool, Jürgen Klopp, destacou que a interferência de Trump e Infantino no esporte é preocupante, afirmando que essas pessoas não deveriam ter relação com decisões do futebol.
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