Jota Wagner garimpou cinco músicos globais com sonoridades únicas, do quarto ao estúdio independente. De Londrina a Estocolmo, são nomes que prometem crescer nos próximos anos.
Belchior já avisava que o novo sempre chega. Hoje, esse novo circula num mar de algoritmos que tende a repetir os mesmos nomes — e a tarefa de se destacar fica mais difícil. Para contrariar esse ritmo, por meio de Jota Wagner foram garimpados cinco artistas emergentes de diferentes cantos do mundo, de Londrina à Suécia, com sonoridades e trajetórias variadas. São músicos que fazem som no quarto, no porão, na garagem ou em estúdio independente, e que prometem ganhar espaços nos próximos anos.
Shitiago, de Londrina (PR), chama atenção pelo domínio da produção própria. O single “The Game” é o segundo avanço de um EP que chega em breve. O jovem trabalha beats com influências de música eletrônica e uso destacado da lendária Roland 808, programada pelo conterrâneo e colaborador Cofwed. Além das faixas, o pacote de divulgação inclui um joguinho lo-fi para entreter o público enquanto o EP não sai.
No campo do groove eletrônico, o norte-americano Noah Lefgren lança “M.F.G.D.”, faixa que traz um balanço feito para pista e festa entre amigos. Lefgren grava e toca tudo no porão de casa; a canção abre o álbum “Aimo Rimbaud & the Family Outfit”, lançado em março, álbum que, segundo a apresentação, mantém o ritmo do começo ao fim.
Da Suécia vem The Next Movement, trio que lançou o single “Mojo” em agosto. A faixa tem tom funky e dançante, e o grupo vem se apresentando em festivais europeus. O som do trio deve agradar quem procura batidas envolventes e vontade de ver o conjunto em palcos brasileiros no futuro.
Do Brasil, vindo de Santo André, Crisos mistura jungle, drum’n’bass e referências da MPB em “Plástico Bolha”, parceria com o produtor Okaxa. A letra tem origem num sonho da autora, que descreveu uma imagem forte que inspirou a poesia da música — uma combinação de contexto, qualidade e sofisticação em formato pop.
Por fim, o coletivo britânico The Songs of Butler & Cupples aposta na composição como polo central do trabalho. No single “Therapy”, lançado em agosto, o projeto convida a cantora Mavis para interpretar uma faixa com cara de década de 1990, que mistura elementos de rock alternativo e pista de dança.
“a música no lugar da imagem e do hype”
Essa foi a proposta declarada pelo coletivo britânico, que prioriza repertório e composição acima do espetáculo externo. Para quem está em Sergipe e no Nordeste, a lista traz opções variadas para acompanhar: do experimento regional de Shitiago ao groove europeu do Next Movement, passando por misturas sonoras brasileiras e projetos de estúdio caseiro.
Se você produz música e quer que seu trabalho seja ouvido por curadores como Jota Wagner, procure formas oficiais de envio e divulgação nas plataformas e redes dos profissionais que acompanham talentos. A janela para novos nomes está aberta — e a curiosidade continua sendo o melhor mapa para encontrar novas sonoridades.

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