Relatório do Imazon mostra que, de abril a junho de 2026, quatro terras indígenas do Amazonas figuram entre as 10 mais pressionadas pelo desmatamento. A Yanomami, entre Amazonas e Roraima, ocupa o topo.
O estado do Amazonas concentra o maior número de terras indígenas que estão sob forte pressão pelo avanço do desmatamento. Quatro territórios do estado figuram entre os dez mais afetados pelos alertas de devastação registrados entre abril e junho de 2026. Essa informação é parte do relatório intitulado “Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas”, divulgado na última quinta-feira (30) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
A terra indígena Yanomami, que se localiza entre os estados do Amazonas e Roraima, ocupa a primeira posição na lista das áreas mais pressionadas. Também são mencionadas a terra indígena Pirahã, em sexto lugar; a terra indígena Rio Biá, em sétimo lugar; e a terra indígena Coatá-Laranjal, em nono lugar.
Além do Amazonas, outros estados, como Maranhão e Mato Grosso do Sul, também aparecem no ranking de terras indígenas ameaçadas. O monitoramento realizado pelo Imazon considera os alertas de desmatamento em áreas protegidas, identificando os territórios mais vulneráveis ao avanço da destruição da floresta.
Quando se observa as terras indígenas com mais ocorrências de desmatamento em seu entorno, o Amazonas se destaca novamente, com quatro territórios mencionados: TI Caititu, em quinto lugar; TI Jacareúba/Katawixi, em sétimo lugar; e TI Peneri/Tacaquiri, em nono lugar.
“Quando uma terra indígena aparece repetidamente entre as mais ameaçadas ou pressionadas, não é apenas a floresta que está em risco. O avanço do desmatamento compromete territórios fundamentais para a manutenção dos modos de vida de populações que vivem neles há séculos, além de afetar sua segurança alimentar, práticas culturais e a proteção da biodiversidade”, alerta a pesquisadora Bianca Santos, uma das responsáveis pelo relatório.
O estudo também destaca as Áreas de Proteção Ambiental (APA) mais ameaçadas pelo desmatamento. O Triunfo do Xingu, localizado no Pará, foi a unidade de conservação mais pressionada entre abril e junho de 2026, liderando o ranking pelo quinto ano consecutivo. O Pará se consolidou como o estado com o maior número de áreas protegidas ameaçadas pelo desmatamento.
De acordo com Carlos Souza Jr., pesquisador que participou da pesquisa, é fundamental monitorar, intensificar e punir os responsáveis para conter o avanço da devastação das florestas. “A permanência de uma área protegida sob pressão constante do desmatamento impacta diretamente a integridade da floresta, causa a degradação e a fragmentação florestal contínuas, comprometendo a resiliência do ecossistema, os serviços ecossistêmicos de conservação da biodiversidade e a sustentabilidade socioambiental das populações tradicionais.”
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