Custos explodiram e a desvalorização do real torna contratos muito mais caros. Ofertas bilionárias e ganância de intermediários transformam até a Copa do Brasil em leilão inacessível.
Um dia isso ia chegar… e parece que chegou. Para as TVs brasileiras, está cada vez mais difícil competir pelos principais direitos esportivos. Primeiro, porque os preços subiram de forma bem absurda; depois, porque a desvalorização do real frente a moedas como o dólar e o euro torna essas negociações ainda mais pesadas.
Independentemente de tudo, claro, também há certa ganância. E, se hoje já é difícil, amanhã poderá ser impossível, diante dos valores que vêm sendo cobrados. O recente resultado da disputa pelos direitos da Copa do Brasil, uma competição totalmente realizada no país, já dá uma demonstração clara disso: a Globo ficou com uma das principais parcelas, mas as outras duas foram parar nas mãos de empresas estrangeiras, Amazon e ESPN.
É um movimento que merece atenção. Não se trata apenas de quem transmite mais ou menos futebol, mas de até onde as TVs brasileiras terão condições de acompanhar essa escalada de preços. As consequências econômicas da perda desses direitos podem atingir não só a receita das emissoras como também a produção local de conteúdo, a formação de profissionais e a própria presença do futebol brasileiro na grade do país.
Porque, se nada mudar, poderá chegar o momento em que produzir e transmitir o nosso próprio futebol será uma atividade cada vez mais dominada por empresas de fora. E aí a discussão deixará de ser apenas sobre direitos esportivos: será sobre quem terá condições de contar, na televisão, a história do esporte brasileiro.
(CBF)
As negociações internacionais trazem outros desafios práticos. Contratos em dólar ou euro ampliam a volatilidade dos custos para compradores domésticos; aumento de oferta por players globais eleva os lances e cria um ambiente em que as emissoras locais precisam decidir entre elevar despesas ou reduzir investimentos em outras áreas.
No plano institucional e regulatório, a questão também pode ganhar espaço: há limites e mecanismos que podem ser discutidos para proteger a cadeia produtiva nacional, mas qualquer alteração exigirá diálogo entre clubes, entidades, emissoras e órgãos reguladores. Sem essa convergência, o cenário futuro tende a concentrar ainda mais direitos nas mãos de grupos estrangeiros.
Por aqui, a tendência deverá ser acompanhada com atenção por torcedores, empresas de mídia e agentes do mercado. A disputa por conteúdo esportivo seguirá intensa e com impactos diretos na forma como o público consumirá jogos e reportagens sobre o futebol brasileiro nos próximos anos.
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