Em sabatina, o candidato ao Senado pelo PDT negou irregularidades em sua gestão, justificou apoio à concessão da Deso e criticou a postura de ministros do STF.
O candidato ao Senado Federal por Sergipe, Edvaldo Nogueira (PDT), foi o sabatinado da noite desta terça-feira (8) na rádio FM Sergipe. Durante a entrevista conduzida pela jornalista Iara Lins, o ex-prefeito de Aracaju rechaçou a tese de que sua candidatura estaria isolada politicamente após ficar de fora da coligação encabeçada pelo governador e antigo aliado Fábio Mitidieri (PSD). Afirmando que cabe ao chefe do Executivo estadual explicar os motivos do distanciamento, Edvaldo destacou que sua postulação ao Senado é independente e movida pelo desejo de colocar a experiência de quatro mandatos no comando da capital sergipana à disposição do Congresso Nacional.
Confrontado com temas espinhosos de sua administração, o pedetista negou veementemente qualquer irregularidade no processo de licitação do transporte coletivo da Grande Aracaju, alvo de multa do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 2024 e de apontamentos judiciais sobre direcionamento em 2025. “Foi uma licitação muito bem feita, duas empresas concorreram e venceram. Infelizmente, a atual gestão não deu continuidade”, defendeu-se, garantindo que o processo foi concluído com seriedade e previa frota nova e tarifa subsidiada. Edvaldo também rebateu as acusações de que teria remanejado indevidamente verbas da saúde, que seriam destinadas à construção do primeiro centro de imagens da capital, para o pagamento de contratos administrativos.
A polêmica concessão da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) pautou parte do debate. Questionado sobre o contraste entre seu histórico político à esquerda e o apoio à privatização sob a gestão de Mitidieri, o ex-prefeito justificou que a anuência dos gestores municipais se deu exclusivamente pelos recursos compensatórios que ajudariam o caixa da capital. Ele, no entanto, eximiu-se da autoria do projeto: “a responsabilidade de ter feito a concessão não é da prefeitura de Aracaju nem de nenhum prefeito”. Mirando o futuro, prometeu usar o trânsito construído em Brasília quando presidiu a Frente Nacional de Prefeitos para destravar as obras das BRs em Sergipe e cobrar a execução de quase R$ 1 bilhão em projetos que, segundo ele, foram deixados em caixa e encontram-se atrasados na capital, citando ainda o sucesso das intervenções de mobilidade e meio ambiente realizadas na Avenida Hermes Fontes durante sua gestão.
No campo econômico e trabalhista, o candidato aproveitou para exaltar a necessidade de fortalecer o setor de petróleo e gás para a geração de empregos em Sergipe e foi categórico ao apoiar o fim da escala de trabalho 6×1. Para Nogueira, o modelo 5×2 é fundamental para garantir aos trabalhadores tempo de estudo e desenvolvimento pessoal, ressaltando que eventuais impactos nas micro e pequenas empresas deverão ser debatidos no parlamento. Encerrando a sabatina, Edvaldo subiu o tom ao comentar a crise institucional envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com investigados do caso Banco Master. “Isso foi grave, é gravíssimo. Quem deve tem que pagar, quem tem problemas deve ser responsabilizado”, disparou o pedetista, reafirmando que pretende chegar ao Senado para provar que é possível fazer política com ética.
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