Cristiano Zani prorrogou a votação por duas horas após falta de transporte em diversas cidades. Mesmo assim, eleitores relataram que seções estavam fechadas ao chegar e postaram registros nas redes.
Pela primeira vez no Brasil, o horário das eleições foi prorrogado: a decisão do ministro Cristiano Zani, do Supremo Tribunal Federal, estendeu a votação por mais duas horas depois das denúncias de falta de transporte público em várias cidades do país. Apesar da prorrogação, eleitores relataram que não conseguiram votar ao chegar às suas seções, que já estavam fechadas.
Nas redes sociais, moradores de diferentes municípios compartilharam registros e depoimentos apontando que, mesmo com a extensão do prazo, as seções eleitorais não receberam eleitores que chegaram após o novo horário. Entre os casos relatados está o de Amanda Vitorino, em Campinas, no interior de São Paulo, que afirmou ter sido impedida de entrar na seção apesar da liminar que ampliou o horário de votação.
“Eu tô aqui, no meu local de votação em Campinas, que é o lugar que eu fiz transferência de voto. Apesar da liminar, a seção já foi fechada, não tá permitida a entrada e já estão dispensando as urnas, com plena violação da liminar”.
Em Teresina, no Piauí, cidade onde houve denúncia de falta de ônibus para eleitores, a mesária Haldaci Regina Silva relatou que, na seção em que trabalhou, não havia informações oficiais sobre a prorrogação, o que teria levado ao fechamento das urnas às 17h. Segundo o relato, houve orientações contraditórias sobre a necessidade de permanecer até às 19h e dificuldades operacionais para reabrir a urna.
“Quando a gente encerrou, que a gente fechou tudo, que nos dirigimos à sala principal, pra entregar, nos foi dito que estava tudo bem. Tipo 17h, 17h10. Pra depois a gente receber outro aviso dizendo que não, que a gente teria que ficar até às 19h. E os presidentes somente alegaram que não tinha como retornar pra sala, pra abrir novamente a urna, como que iria reiniciar pra essas pessoas votarem. Já tava tudo lacrado, já tinham saído as zerésimas. Então, não tinha como”.
Em Salvador, eleitores registraram vídeos mostrando ônibus que teriam passado direto pelos pontos sem parar. Como alternativa, alguns eleitores organizaram caronas para tentar garantir que conseguissem votar. O eleitor Alfredo Santos Júnior comentou sobre a mobilização diante da falta de transporte.
“Eles não vão nos calar. A prefeitura tentou, mas o povo baiano é resistente. Juntos, somos mais fortes e a carona solidária tá fazendo isso aqui: não tem ninguém no ponto. Tá lindo”.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) informou, por meio de nota, que acompanha as denúncias de falhas no serviço de transporte público registradas no segundo turno das eleições no Brasil e que monitora as decisões do Tribunal Superior Eleitoral. Relatos de dificuldade de deslocamento foram contabilizados em ao menos 10 estados, o que motivou partidos e coligações a recorrerem às instâncias eleitorais.
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