Técnicas como jardins de chuva, pavimentos drenantes e arborização urbana são alguns exemplos presentes nas cidades-esponja, arquiteto explica como funciona

As mudanças climáticas têm aumentado a frequência de eventos extremos, como chuvas intensas e inundações, pressionando a infraestrutura das cidades contemporâneas. Para lidar com esses desafios, é necessário que as cidades se tornem mais preparadas e resilientes. Um conceito que tem ganhado importância nesse cenário é o das “cidades-esponja”, que propõe soluções urbanísticas para melhorar a absorção e o gerenciamento das águas pluviais.

O conceito de cidades-esponja se refere a qualquer cidade que incorpora técnicas de permeabilidade do solo, drenagem urbana e armazenamento temporário de água da chuva, como explica o arquiteto e urbanista e professor da Universidade Tiradentes (Unit), Rooseman de Oliveira Silva. “Elas operam utilizando técnicas urbanísticas de arquitetura e engenharia, como jardins de chuva, arborização urbana, parques e praças alagáveis, pavimentos drenantes e tanques subterrâneos”, completa Rooseman.

Para atingir esses objetivos, as cidades-esponja utilizam diversas técnicas, tais como:

Os benefícios dessas soluções são variados. As cidades-esponja melhoram a absorção e o escoamento das águas pluviais, diminuindo significativamente os riscos de alagamentos intensos. Além disso, promovem o reuso das águas armazenadas, eliminam as ilhas de calor e carbono, e criam um microclima agradável em áreas densamente ocupadas. “Essas medidas reduzem os impactos das chuvas através da permeabilidade do solo e das soluções de escoamento e armazenamento hídrico-pluvial”, ressalta o professor.

Exemplos de cidades-esponja no mundo

Tecnologia, planejamento urbano e arquitetura sustentável

Segundo Rooseman, há várias tecnologias verdes que podem ser aplicadas nas cidades-esponja, como pavimentos permeáveis, sistemas de captação de água da chuva e sistemas de reuso de água. “Na maioria das vezes, essas soluções são simples, com baixo investimento e alta eficiência”, afirma.

O planejamento urbano e a arquitetura também têm um papel crucial na implementação das cidades-esponja. Adotar soluções sustentáveis em projetos arquitetônicos e urbanísticos, além de incluir a participação pública na aprovação de planos diretores que incorporem dispositivos legais alinhados aos desafios climáticos, são passos essenciais para criar cidades mais resilientes.

“O impacto na biodiversidade e na qualidade de vida é significativo, com a redução dos riscos de enchentes, melhoria do microclima local, redução da poluição atmosférica e dos custos gerados por soluções emergenciais, além de uma melhoria geral na saúde urbana coletiva”, complementa Rooseman.

O arquiteto enfatiza que, para que essas ideias se concretizem, é essencial sensibilizar tanto a população quanto os representantes dos poderes públicos. “Especialmente o legislativo municipal, para que incluam em suas agendas a discussão e aprovação de leis urbanísticas compatíveis com o modelo de cidades com infraestrutura verde e princípios semelhantes aos das cidades-esponja”, conclui.

Fonte: Asscom Unit