Flávio Bolsonaro (PL) está em Fortaleza nesta sexta-feira (10) para participar do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL) ao Senado Federal. A visita ocorre em um contexto de disputa interna no partido e visa consolidar uma aliança regional, que tem gerado tensões com Michelle Bolsonaro.
De acordo com a analista de política Edilene Lopes, não há previsão de encontro entre Flávio Bolsonaro e Ciro Gomes, pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSDB. Apesar da ausência de um encontro, a aliança entre PL e PSDB no estado está consolidada e já foi sacramentada nas presidências nacionais dos dois partidos.
Alcides Fernandes é deputado estadual e pai de André Fernandes (PL), deputado federal que obteve uma expressiva votação na última eleição para a prefeitura de Fortaleza. André, que tem apenas 28 anos, não pode concorrer ao Senado e, por isso, sugeriu que seu pai se lançasse como candidato. Assim, Alcides Fernandes se torna o pré-candidato ao Senado pelo PL.
“O entorno dele fala que esse era o desejo de Jair Bolsonaro, mas, na impossibilidade por conta da idade, ele [André] propôs que o próprio pai fosse”, detalhou Edilene ao CNN 360º desta sexta-feira (10).
André Fernandes, que vai disputar a reeleição como deputado federal, formou aliança com Ciro Gomes visando a candidatura ao governo do Ceará, acreditando que Ciro é o candidato com melhores chances de derrotar Elmano de Freitas (PT), atual governador do estado. O PSDB, partido de Ciro Gomes, liberou suas seções estaduais para firmarem alianças que considerem mais viáveis. Edilene comentou que “o entendimento do PSDB no Ceará é que todos são contra o PT”.
A movimentação no Ceará também revela a disputa interna entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro pelo controle do PL. Michelle apoia Eduardo Girão (Novo) como pré-candidato ao governo do estado, alegando ter identidade de valores com ele. Para o Senado, Michelle defende a candidatura de Priscila Costa (PL), vereadora que recentemente assumiu uma vaga na Câmara dos Deputados. Essa vaga surgiu após a saída de Dayany Bittencourt (União Brasil) devido a uma recontagem de votos ligada a um colega de partido cassado.
A situação se complica ainda mais, pois Dayany Bittencourt é esposa do Capitão Wagner (União Brasil), que também é pré-candidato ao Senado pelo Ceará, e com quem o PL tenta articular uma aliança para compor uma segunda vaga ao Senado, ao lado de Alcides Fernandes. Segundo a cúpula do PL, Priscila Costa deve, na prática, disputar uma vaga de deputada federal, e não ao Senado. A aproximação de Priscila Costa com Flávio sugere que Michelle Bolsonaro está perdendo força nessa disputa interna.
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