Sem 50 Cent, Game relança 'Hate It or Love It' com Snoop, sample de Bobby Caldwell e referências ao G-funk e às lendas da costa oeste. A reação mista levanta dúvidas sobre o potencial comercial do remix.
Quando The Game decidiu revisitar seu sucesso de 2005, “Hate It or Love It”, a iniciativa gerou reações contrárias e curiosidade sobre o impacto comercial dessa estratégia. Sem o colaborador original 50 Cent no gancho — que, duas décadas atrás, ajudou a faixa a alcançar o No. 2 na Hot 100 — The Game trouxe Snoop Dogg para a nova versão, que recupera referências do flow clássico do G-funk e cita lendas da costa oeste como Nipsey Hussle, 2Pac e Ice Cube. A versão também inclui um sample de “What You Won’t Do for Love” (Bobby Caldwell, 1978), elemento que não estava na gravação de 2005.
“Todo mundo disse que eu estava maluco. Eles falaram: ‘Isso é um clássico, você não deveria encostar nisso. Como você vai fazer isso ser melhor?’ E eu pensei pra mim mesmo: ‘Eu amo desafios, como vou fazer isso ser melhor?'”
The Game assumiu que a nova faixa — citada como “Love It or Hate It” — serviria como divulgação para o lançamento do álbum “The Documentary III” em agosto, buscando conectar o novo projeto ao disco de estreia que consagrou “Hate It or Love It” no hip-hop da costa oeste.
“Sabia que para meus fãs mais fieis, conseguir voltar no tempo de uma forma tão nostálgica bem cedo no álbum, marcaria a experiência para o ouvinte e faria seus ouvidos entenderem que esse álbum também seria um clássico”
O relançamento de hits e a criação de remixes não é novidade no hip-hop: exemplos históricos incluem Nas, com desdobramentos de faixas de “Illmatic”, e movimentos mais recentes como “P2” de Lil Uzi Vert, que reutilizou a melodia de seu sucesso de 2017 e chegou ao 11º lugar da Hot 100. Nos últimos meses, outros veteranos também publicaram remixes que reanimaram canções antigas: Meek Mill lançou “Nightmares to Dreams”, DJ Shadow e Run The Jewels apresentaram “Nobody Speak Port 2” com Denzel Curry e TiaCorine.
Apesar da estratégia, o retorno às paradas é incerto. Entre as recentes tentativas, apenas “Nightmares to Dreams”, de Meek Mill, entrou na Hot 100, atingindo o 82º lugar antes de sair das paradas na semana seguinte. No panorama de 2026, há percepção de escassez do gênero nos charts: Drake aparece como o único rapper com hit no top 10 da Hot 100 como artista principal. A falta de novos nomes com destaque comercial — com exceções como Doechii e Don Toliver — abre espaço para veteranos tentarem reconquistar público com material nostálgico.
Além de revisitar o próprio catálogo, a colaboração entre gerações aparece como alternativa promissora. The Game relatou ter sido procurado por 310babii, artista em ascensão na costa oeste, em busca de orientações — a primeira vez que, segundo ele, um novato o procurou pessoalmente para esse tipo de conversa. Embora não haja anúncio de trabalho conjunto entre os dois, a história ilustra como parcerias transgeracionais podem reacender interesse e ampliar alcance, seguindo exemplos anteriores no gênero.
“Todo mundo é tão egoísta e sobre si mesmo, quando devia ser sobre nós… E os fãs sabem a diferença”
Enquanto remixes próprios podem agradar ao público fiel e gerar curiosidade, a matéria mostra que o caminho mais sólido para trazer o rap de volta às conversas e às paradas pode passar por colaborações que unam veteranos e novos nomes, em vez de depender apenas da nostalgia.
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