Executivo anunciou R$ 1,335 bilhão para prevenção e mitigação do El Niño; 23 ministérios e seis órgãos participaram da reunião. Lula afirmou que o país está preparado para o fenômeno.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (29), um plano de R$ 1,335 bilhão para a prevenção e mitigação dos efeitos do fenômeno climático El Niño. A reunião que formalizou o anúncio contou com a participação de representantes de 23 ministérios e 6 agências, órgãos ou institutos, destacando a articulação do governo na área de políticas climáticas.
Durante a apresentação do plano, o presidente ressaltou a importância da preparação para o fenômeno, afirmando:
“O El Niño vai acontecer em breve. Nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar para enfrentar alguma coisa grave. O que é duro é quando acontece alguma coisa para a qual ninguém está preparado.”
A distribuição dos recursos inclui:
- R$ 850 milhões para a aquisição de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz;
- R$ 337 milhões para ações de prevenção e combate a incêndios;
- R$ 65 milhões para a compra de 350 mil cestas de alimentos;
- R$ 45 milhões para os Centros de Informação em Saúde e Clima e a ForSUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde);
- R$ 25 milhões para o monitoramento do nível dos rios;
- R$ 13 milhões para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), voltado para agricultores da região Norte.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentou as estratégias do governo para mitigar os impactos do El Niño. Organizações da sociedade civil já haviam alertado, em maio, sobre a necessidade de políticas de adaptação climática, especialmente para as populações mais vulneráveis. O documento ressaltou os efeitos de eventos climáticos extremos no Brasil e pediu medidas preventivas contra enchentes, deslizamentos, secas, ondas de calor e incêndios florestais.
O governo criou uma Sala de Situação do El Niño, que integra 24 ministérios, para monitorar continuamente o fenômeno e coordenar as ações federais. A estratégia se baseia em quatro pilares: unificação e monitoramento de dados, mapeamento de riscos, antecipação de ações e proteção das populações vulneráveis.
Para o combate aos incêndios florestais, o plano prevê o reforço de equipamentos e logística, com a criação de postos de comando em estados como Pará, Mato Grosso e Maranhão. Serão utilizados 16 veículos especiais, 19 helicópteros e 18 aviões para lançamento de água, além de uma aeronave para transporte de equipes. O governo também manterá parcerias com órgãos federais e estaduais para respostas rápidas em situações de emergência.
Em relação aos reservatórios de água do Nordeste, o governo informa que não há previsão de escassez em 2026, com níveis adequados de armazenamento. No entanto, o atraso das chuvas pode impactar o ano seguinte. Para a Região Sul, as medidas incluem sistemas de alerta para chuvas intensas e intervenções em barragens e diques.
No setor elétrico, o monitoramento dos reservatórios da Região Norte será intensificado, caso o nível dos rios diminua. O plano também prevê a antecipação da entrega de cestas básicas, aumentando o atendimento para 350 mil cestas, assim como a ampliação dos estoques de arroz e milho, priorizando comunidades em situação de vulnerabilidade.
Na área da saúde, os Centros de Informação em Saúde e Clima terão a função de monitorar os impactos sanitários relacionados às condições climáticas extremas, oferecendo informações que apoiarão o Sistema Único de Saúde.
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