O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 2,73% em abril, o maior resultado mensal desde maio de 2021, quando o índice ficou em 4,10%. A variação foi atribuída, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre preços ao produtor e ao consumidor no Brasil.
Em março, o IGP-M havia apresentado aumento de 0,52% e, em abril de 2025, o índice tinha subido 0,24%. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador soma 0,61%, encerrando uma sequência de cinco meses de deflação.
As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. O economista do Ibre Matheus Dias afirmou que “todos os índices registraram influências diretas do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz”.
Segundo a FGV, nos preços ao produtor o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6% em abril, impacto explicado pelo choque provocado pela guerra. Também foram observados repasses importantes em produtos da cadeia petroquímica, como sacos e sacolas plásticas utilizados em embalagens.
Nos preços ao consumidor, o principal efeito foi a alta dos combustíveis. A gasolina subiu, em média, 6,3% em abril, enquanto o diesel teve aumento de 14,9%. A elevação nos combustíveis influencia outros segmentos da economia, como os alimentos, por meio do aumento do frete — o óleo diesel é o combustível predominante no transporte rodoviário de cargas.
Contexto do conflito
O conflito no Oriente Médio teve início em 28 de fevereiro, quando, conforme relatado, Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. A região reúne países produtores de petróleo e inclui o Estreito de Ormuz, passagem marítima que liga os golfos Pérsico e de Omã e por onde transitam cerca de 20% da produção mundial de óleo e gás.
Uma retaliação do Irã foi o bloqueio do estreito, ao sul de seu território, provocando distúrbios na logística da indústria do petróleo, redução da oferta e elevação dos preços no mercado internacional. Como petróleo e derivados são commodities negociadas a preços internacionais, a alta afeta também países produtores, como o Brasil.
O governo brasileiro tem adotado medidas para tentar atenuar a alta dos derivados, incluindo isenções tributárias e subsídios a produtores e importadores.

Componentes do IGP-M
A FGV calcula o IGP-M com base em três componentes. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60% no indicador, subiu 3,49% em abril, a maior variação desde maio de 2021 (5,23%).
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30%, avançou 0,94% em abril. As principais pressões de alta nos preços para famílias foram:
– Gasolina: 6,29%
– Leite tipo longa vida: 9,20%
– Tomate: 13,44%
– Óleo diesel: 14,93%
– Tarifa de eletricidade residencial: 0,80%
O grupo transporte, fortemente influenciado pela alta dos combustíveis, registrou expansão média de 2,26%. O terceiro componente, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), subiu 1,04% em abril.
O IGP-M é frequentemente chamado de “inflação do aluguel” porque o acumulado em 12 meses costuma servir de referência para reajustes anuais de contratos imobiliários e para correção de algumas tarifas públicas e serviços essenciais. A coleta de preços pela FGV foi realizada em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, no período de 21 de março a 20 de abril.
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