Um homem foi detido em Aracaju sob suspeita de envenenar a namorada e simular um pacto de suicídio no bairro Olaria. A prisão é temporária e o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) já pediu a conversão para preventiva, segundo a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP/SE).
A ocorrência chegou à polícia inicialmente como um suposto suicídio envolvendo o casal. Ao chegar ao local, os agentes perceberam contradições: o homem estava consciente e sem sinais compatíveis com ingestão de chumbinho, enquanto a mulher já estava sem vida, informou o delegado Kássio Viana, responsável pelo caso.
Em depoimento, o suspeito afirmou que a vítima passava por quadro depressivo e teria proposto o suicídio conjunto. Ele disse ter preparado dois potes de sorvete com veneno e que ambos teriam consumido o produto. No entanto, inconsistências no relato despertaram desconfiança.
O delegado detalhou que o suspeito relatou ter tomado o veneno e dormido em seguida, conduta que não corresponde aos efeitos normalmente observados em intoxicações por chumbinho. A partir desse ponto, a polícia intensificou as diligências, ouviu testemunhas e analisou os aparelhos celulares do casal.
Durante a investigação, apurou-se que a vítima já tinha demonstrado medo do companheiro meses antes do crime. Em novembro de 2025, ela chegou a chamar amigos para acompanhá‑la por temer que poderia ser morta pelo namorado, conforme as apurações.
Conversas extraídas dos celulares mostram que o suspeito estimulava constantemente a companheira a cometer suicídio. Nas mensagens, ele insistia na ideia do suicídio conjunto e chegou a afirmar que diluiria o veneno em um doce, como teria ocorrido, informou o delegado.

Os investigadores trabalham com duas linhas principais: que o homem convenceu a mulher a ingerir o sorvete envenenado acreditando que também tomaria a substância, ou que ela consumiu o alimento sem saber da presença do veneno. Em ambas as hipóteses, destacou Viana, o caso configura homicídio e não auxílio ao suicídio.
Segundo o delegado, o investigado não aceitava o fim do relacionamento e usava manipulação emocional — inclusive ameaçando se matar e utilizando o cachorro do casal — para manter controle sobre a vítima. As apurações indicam ainda que a mulher estava respondendo ao tratamento para depressão, utilizando nova medicação e mantendo rotina social nos dias anteriores ao óbito.
O DHPP considera o episódio como um crime planejado e cometido com frieza, diferindo da maioria dos feminicídios que, segundo o delegado, decorrem de explosões emocionais. O inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis.
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