Hospital de Urgências de Sergipe intensifica atendimento a pacientes com queimaduras

Somente na véspera e o dia de São João, a unidade hospitalar registrou 19 atendimentos a vítimas de algum tipo de queimadura

Ao longo do mês de junho, o Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) registrou uma redução de cerca de 20% nos atendimentos do pronto-socorro a pacientes vítimas por algum tipo de queimadura, em comparação ao mesmo período do ano passado. No entanto, os números voltados aos tratamentos mais específicos na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) já superam os de 2023. Até o dia 24 de junho, foram 24 admissões, sendo dez por fogos de artifício.

Entre os dias de São João e São Pedro, o atendimento a vítimas de queimaduras é ainda mais intensificado na unidade hospitalar por conta dos acidentes causados por fogos de artifícios e fogueiras. Este ano, somente  entre a véspera e o dia de São João, foram contabilizados 19 atendimentos a vítimas de algum tipo de queimadura no Huse. Destes, quatro pacientes precisaram de internação hospitalar na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ), o que chama a atenção para a gravidade das lesões.

São casos como o do autônomo Pedro de Jesus, de 39 anos, que teve a mão, o braço e o rosto atingidos por fogos de artifício. Ele contou que, após resfriar as áreas queimadas com água corrente, buscou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município de Boquim, de onde foi encaminhado para tratamento na UTQ do Huse. “Aqui, o atendimento foi nota mil. Só tenho que agradecer, primeiramente, a Deus, e a todos que cuidaram de mim, prestando todo o apoio necessário”, detalhou o paciente. 

Para Pedro, o momento agora é de cuidados e recuperação até a cicatrização da pele. “Uma promessa para mim e para os meus filhos é que nunca mais vou soltar fogos, nem no São João e nem em época nenhuma. Um conselho para todos é que também não deixem seus filhos soltar fogos, porque pode acontecer algum acidente. No meu caso foi a queimadura no rosto, mas poderia ter sido algo ainda pior”, comentou.

Unidade de tratamento de queimados

O coordenador médico da UTQ, Bruno Cintra, explica que é preciso uma conscientização ainda maior da sociedade quanto aos riscos da utilização dos fogos de artifício de maneira recreativa. “Quando a gente tem um aumento no número de atendimentos por fogos, isso nos mostra que ainda não há uma preocupação efetiva voltada à proteção. Tivemos casos de explosão por bombas na mão, no rosto, queimados na guerra de espadas. São pacientes que possivelmente ficarão com algum tipo de sequela”, salienta. 

O médico destaca ainda outros impactos significativos relacionados a acidentes por queimaduras. “O perfil dos pacientes da unidade são os jovens, e geralmente do sexo masculino. Isso reflete em desfechos desfavoráveis a curto, médio e longo prazo porque, provavelmente, vão ter sequelas definitivas como a perda de um dedo, de uma mão e outras consequências, levando à incapacidade temporária ou permanente”, enfatizou.

De janeiro a maio de 2024, a UTQ do Huse já registrou 77 admissões, um aumento de mais de 11% em relação ao mesmo período do ano passado. No total, em 2023, foram mais de 170 admissões e 12 óbitos. Apenas no mês de junho de 2023, a unidade de queimados atendeu 24 pacientes. Os atendimentos de urgência e emergência do Huse voltados a algum tipo de queimadura como, por exemplo, por substâncias químicas, fogos de artifício e líquidos ferventes, também são significativos. De janeiro a maio deste ano, já foram mais de 190 admissões. 

Principais cuidados

Entre as principais orientações para as vítimas de uma queimadura está o resfriamento da área com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 15 a 20 minutos. “Isso é importante para que se possa reduzir o dano e tirar, o máximo possível, o agente causador da queimadura. Quanto mais tempo com a superfície quente em contato com a pele, mais profunda será a queimadura. Após esse processo, é importante cobrir com um pano seco para não causar hipotermia e buscar uma unidade de saúde para a avaliação”, orientou a enfermeira e gerente da UTQ, Wandressa Nascimento.

COM INFORMAÇÕES: ASCOM/SES

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