O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 0,58% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os alimentos e bebidas foram responsáveis por cerca de metade desse avanço no mês, pressionando o orçamento das famílias.
O resultado de maio representa uma desaceleração em relação aos dois meses anteriores, mas elevou o acumulado em 12 meses para 4,72%, acima do teto de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelece meta de 3% com margem de 1,5 ponto porcentual, ou seja, intervalo entre 1,5% e 4,5%.
Comportamento mensal e projeções
Ao longo de 2026, as taxas mensais do IPCA foram: janeiro 0,33%; fevereiro 0,70%; março 0,88%; abril 0,67%; e maio 0,58%. O Boletim Focus do Banco Central divulgado na segunda-feira indicou expectativa média de 0,48% para maio e estimativa de 5,11% para a inflação no fechamento de 2026, números abaixo e acima, respectivamente, do resultado efetivo do mês.
Alimentos e itens que mais impactaram
O grupo alimentação e bebidas subiu 1,33% em maio, com impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA. Entre os itens que mais influenciaram o índice estão batata-inglesa (alta de 44,69% e impacto de 0,09 p.p.), tomate (20,62% e 0,06 p.p.), carnes (+1,39% e 0,04 p.p.) e cebola (+16,80% e 0,02 p.p.). Maio marcou o terceiro mês consecutivo com alta superior a 1% para esse grupo, que acumula 4,81% nos cinco primeiros meses do ano. A taxa de alimentação em maio de 2026 foi a maior para o mês desde 2015 (1,37%).
O gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, explicou que a elevação dos preços de alimentos decorre de menor oferta de determinados produtos, custos de frete e elevação no preço de fertilizantes, influenciada pelo conflito no Oriente Médio. Segundo o IBGE, se o grupo alimentação fosse excluído do cálculo, a inflação de maio teria sido 0,37%.
Habitação, energia e transportes
O segundo maior impacto veio do grupo habitação, que avançou 1,22%, puxado sobretudo pela energia elétrica residencial, com aumento de 3,67% e efeito de 0,15 p.p. no IPCA. O aumento da conta de luz foi atribuído à vigência da bandeira tarifária amarela, que acresce R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, medida que também vale para junho. O IBGE registrou reajustes contratuais em tarifas de energia em seis regiões: Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte.
Por outro lado, o grupo transportes apresentou deflação de 0,46% no mês, devido principalmente à queda nos preços dos combustíveis (-1,95%). Entre os combustíveis, etanol recuou 6,20%, óleo diesel 2,34% e gasolina 1,46%; a gasolina teve o maior efeito depressivo no IPCA de maio, com impacto de -0,08 p.p. O gás veicular, porém, subiu 5,81% em maio.

Distribuição e metodologia
O índice de difusão do IBGE mostrou que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados registraram aumento de preços em maio. O IBGE divide o IPCA entre serviços (mais sensíveis à atividade econômica e à taxa Selic) e preços monitorados, que incluem contratos e combustíveis. Em maio, serviços subiram 0,40% (5,97% em 12 meses) e preços monitorados avançaram 0,43% (5,85% em 12 meses).
O IPCA mede o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas — Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre — além de Brasília e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
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