Monólogo mistura humor e emoção ao tratar da pressão por uma maternidade perfeita. A peça contrapõe métodos dos anos 90 às pressões atuais, como redes sociais, excesso de informação e culpa materna.
O monólogo “Filho da Mãe”, escrito e protagonizado por Isabella Marano, reúne humor e emoção para tratar da pressão por uma maternidade perfeita. A peça parte de situações cotidianas — comparações nas redes sociais, excesso de informação sobre criação e a cobrança por métodos infalíveis — e transforma esse material em cenas que buscam identificação do público.
Com direção de Aline Angehli, o espetáculo contrapõe a mãe dos anos 90, com métodos mais tradicionais, à mulher contemporânea, cercada por especialistas e por diferentes formas de educar. Entre os temas explorados estão a culpa materna, a sobrecarga feminina, a ausência paterna e a chamada educação positiva, sempre trabalhados com tom cômico que também abre espaço para momentos de emoção.
No palco, Isabella interpreta personagens que representam gerações e perfis diversos: a Mãe dos Anos 90, a Mãe Millennial, a Mãe Perfeita das redes sociais e a Avó Nutella. A proposta é provocar o reconhecimento do público em situações que fazem parte da rotina de muitas famílias, usando o humor como recurso para debater questões reais da parentalidade.
Depois de quatro sessões lotadas no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, e de uma apresentação extra aberta por causa da procura, “Filho da Mãe” agora chega ao Teatro dos Quatro, na Gávea. A nova temporada está marcada para os dias 5, 12, 19 e 26 de setembro, sempre aos sábados, às 18h, em um espaço maior que acompanha o crescimento da demanda.
A circulação da atriz nas redes sociais também integra a trajetória do espetáculo: o público digital, formado principalmente por mulheres e mães, acompanha conteúdos que dialogam diretamente com as cenas do monólogo. Essa relação virtual com a plateia reforça a proposta do espetáculo, que questiona referendos e fórmulas prontas para exercer a maternidade.
O formato de monólogo permite que diferentes vozes e perspectivas sobre maternidade sejam encadeadas por uma intérprete, criando ritmo e variação cênica sem recorrer a um elenco amplo. A montagem aposta na identificação geracional e na crítica leve aos padrões impostos, sem desistir do tom bem-humorado.
O espetáculo segue a ideia de questionar se existe, de fato, uma receita para criar filhos e pretende levar ao público reflexões sobre responsabilidades, cobranças e afeto nas relações familiares contemporâneas.
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