Everton Souza Nascimento (Fiote da Castanha), nasceu 09 de julho de 1977, no Povoado Estreito, vizinho ao Polígono da Castanha (Carrilho, Dendezeiro e Tabocas), ao Mundo Novo e ao Dunga, em Itabaiana.
Antes da castanha, era uma região de feirantes livres e pataqueiros pobres.
Fiote da Castanha é filho de Elionaldo Nascimento, conhecido por Leão, motorista de caminhão. A mãe, é Dona Décia Souza. Uma família de 4 irmãos (Everton, Elisângela, Elionaldo e Josefa).
Fiote, demorou pouco na escola, era preciso ganhar a vida. Aos 12 anos, já vendia verduras nas feiras, com um cesto na cintura. Apreendeu cedo a vender, cativar o cliente, tornar o que está vendendo uma necessidade. Sempre de bom humor.
O comércio de Itabaiana cresceu, pela alma empreendedora do seu povo. Fiote é um bom exemplo: ganha a vida pelo trabalho, pelo dom de ser bom comerciante. Logo cedo, Fiote começou a levar a castanha assada de Itabaiana, para o resto do Brasil. Foi um desbravador da venda da castanha assada em Salvador e no Rio de Janeiro.
Até hoje, Fiote vende castanha. Não viaja mais, como faz uma legião de itabaianenses, que percorrem o Brasil com um saco de castanha nos braços, vendendo e divulgando Itabaiana. São mais de 500.
Fiote da Castanha casou cedo, aos 19 anos, com Dona Giselma, com quem teve três filhos: Davi, Sara e Natã. Isso mesmo, o Natãzinho Lima, sucesso nacional da música brega. Fiote está em num segundo casamento, com a aracajuana Fernanda.
A vida de Fiote foi a de um itabaianense médio, voltada para ganhar dinheiro, e gastar em farras. Festeiro, torcedor do Tremendão da Serra e do Flamengo. Fiote seguia a sua rotina anônima, até aparecer um filho famoso. Ficou conhecido, por conta desse filho famoso e rico.
Fiote tem uma personalidade forte e uma autoestima dos itabaianenses, bairrista até o pescoço. Sabe o que quer, respeita as raízes e as velhas amizades. Nunca será apenas o Pai de Natãzinho.
Como surgiu uma estrela da musica popular, saindo de uma família de trabalhadores, sem raízes musicais. Se foi herança, foi um gene muito recessivo. Quando menino, Natãzinho queria ser caminhoneiro, seguir o destino do Avô, Seu Leão.
Ele nunca perdeu a tradicional carreata de caminhões de brinquedo, que ocorre em Itabaiana, como parte da festa dos caminhoneiros, em junho.
Certa feita, Natãzinho, aos 14 anos, foi com o irmão Davi, fazer um bico de garçom numa festa particular, no Povoado Maitapam. A festa era animada por um conjunto musical, da região. Sem maiores pretensões, Natãzinho desafiou o irmão: “quer apostar que se deixarem, eu vou ao palco e canto uma música?” Apostaram e ele ganhou. Cantou tão bem, que o povo da festa começou a pedir bis.
Natãzinho ganhou animação e passou a cantar em tudo que era lugar, festas, barzinhos. Os amigos, Maicon, do Batata Frita; Adinaldo, do Posto Esquina e Garrafinha, entre outros, patrocinaram a gravação de um CD. Ele mandou o CD, para o produtor Charles e para o empresário Genílton. Eles não gostaram!
Natãzinho inventou um show chamado “de bar, em bar”. O de bar, em bar, número 4, foi na Marianga, um bairro popular de Itabaiana, onde vivia a sua família. A festa estourou, foi um grande sucesso. O sucesso de outro show na Barragem do Campo do Brito, estourou nas redes sociais.
Daí, ele se profissionaliza, cria a sua banda, faz amizades com os cantores famosos no estilo dele, com destaque para a parceria com Safadão. Aos 22 anos, Natâzinho saí da venda de castanha, ajudando ao pai, para sucesso nacional. Hoje, reside em São Paulo.
Não é fácil sair de Itabaiana, de família de trabalhadores, sem padrinhos, chegar a fama. Não é à toa que os vencedores são poucos. Até agora, a fama e a riqueza, não quebraram as raízes de Natâzinho.
Ele incorporou em sua música, o espirito de caminhoneiro do seu avô, Seu Leão; o empreendedorismo e o bom humor do pai (Fiote da Castanha); e a alma do povo de Itabaiana (fio do canso) e o bairrismo do Mestre Orpilio.
Ainda é cedo, mas até agora, a humildade de quem conhece e ama as origens, continua espelhada na testa. Não deixe o sucesso sombrear a sua humildade.
No último “de bar, em bar”, que ele fez em Itabaiana, em praça público, eu fiquei de longe, observando. As pessoas passavam aos lotes, apressadas, era um dia de semana, todas comemorando o seu sucesso, como uma vitória coletiva da cidade, como um título do Tricolor.
Perguntei a seu pai, Fiote da Castanha, quais os motivos do sucesso do filho, além da voz afinada e da sorte. Ele foi certeiro: “o povo de Itabaiana abraçou Natãzinho desde cedo.” Eu comecei a entender…
A minha praia musical é outra, gosto de outros estilos, mas não posso esconder: o seu sucesso, a sua humildade, a sua ligação com as raízes itabaianenses e com os caminhoneiros, me envaidecem.
Fiote da Castanha soube criar os filhos!
Antonio Samarone. Secretário de Cultura de Itabaiana.