No Curaçao North and Sea Jazz Festival, o pianista e multi-instrumentista de 39 anos uniu jazz, rhythm’n’blues e erudita em um show enérgico. Nascido perto de Nova Orleans, trouxe o swing e grooves de funk ao palco.
Jon Batiste, cantor, compositor e instrumentista de 39 anos, apresentou um show marcado pela mistura de estilos no Curaçao North and Sea Jazz Festival na última sexta-feira. Segundo a biografia do artista, suas especialidades incluem jazz, rhythm’n’blues e música erudita, mas a apresentação no festival provou que essas etiquetas não bastam para definir o que ele leva ao palco.
Nascido em Metairie, cidade praticamente colada a Nova Orleans, Batiste traz elementos claros da cultura local em seu repertório e na atitude de cena. O piano do músico carrega aquele toque característico do berço do jazz, com uma fluidez que remete às raízes da região, e ele ainda conecta essas referências a outras influências pessoais e históricas.
No show, Batiste evocou improvisações à moda de Thelonious Monk e citou “Giant Steps”, de John Coltrane, além de inserir trechos de “A Marcha Turca”, de Wolfgang Amadeus Mozart, convertidos em funk. No palco, o artista canta, toca, dança e pula muito, alternando momentos de virtuosismo ao piano com performances centradas na soul music e no funk. O uso de falsete em algumas passagens lembrou estilos vocais que remetem a grandes nomes do gênero.
A formação de sua banda também teve espaço: Desz, nome artístico de Desiree Washington e ex-concorrente do reality show “The Voice”, se destacou em uma versão de “The Right Time”, de Ray Charles. Entre os momentos pensados especialmente para o público brasileiro, Batiste incluiu “Mas que Nada”, de Jorge Ben Jor, trazendo ecos da versão popularizada por Sérgio Mendes (1941-2024).
“som de preto e favelado, mas quando toca ninguém fica parado”
O trecho citado, tomado de um célebre funk carioca, foi usado para resumir a atmosfera do espetáculo: uma celebração da música negra em suas diversas vertentes e nacionalidades, com forte apelo para a dança e a participação do público. A apresentação de Curaçao é vista como um exemplo dessa celebração, e o público do Rock in Rio deverá assistir HOJE Jon Batiste, quando ele sobe ao Palco Mundo.
Em resumo, a passagem pelo Curaçao North and Sea Jazz Festival reforçou a imagem de Batiste como um artista versátil, capaz de transitar entre tradição e experimentação, sempre com forte presença de palco e atenção ao trabalho coletivo da banda. A combinação de referências — do jazz de Nova Orleans às citações eruditas e ao repertório popular — promete um show em que improviso, ritmo e espetáculo caminham juntos.
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