Em 27/08 o Jota Quest lançou o álbum Dance Enquanto é Tempo, com 15 releituras de Tim Maia, incluindo o funk Seroma, criado a partir de depoimentos do cantor. Hoje (06/09) a banda toca no Rock in Rio.
O Jota Quest lançou no dia 27 de agosto o álbum Jota Quest e Tim Maia: Dance Enquanto é Tempo, com 15 releituras do repertório do cantor carioca. Entre as curiosidades do projeto está a faixa funk “Seroma”, construída a partir de depoimentos de Tim Maia. Hoje, 06 de setembro, a banda sobe ao palco do Rock in Rio, onde dividirá a programação com nomes como Calvin Harris, Nelly, Black Eyed Peas e Barão Vermelho.
A relação do grupo mineiro com o legado de Tim Maia vem de longe. Em 1998, quando o Jota Quest ainda se chamava J. Quest, os integrantes foram retirados do palco pelos seguranças do festival Planeta Atlântida enquanto assistiam à apresentação de Tim Maia. Na ocasião, o próprio Tim proferiu a frase que acabou sendo lembrada na história do grupo:
“Deixa o pessoal do Jota Quest se divertir à vontade”
Tim Maia chegou a conversar rapidamente com os músicos e houve a ideia de uma colaboração que não se concretizou. No dia 15 de março daquele ano, Tim Maia morreu de falência múltipla de órgãos, aos 55 anos. O sonho de trabalhar com ele, porém, permaneceu vivo na memória da banda.
“Quando o Tim morreu, a gente ficou órfão. Tínhamos acabado de encontrar com ele no hotel.”
O vocalista Rogério Flausino contou que a ideia de um tributo foi amadurecendo com o tempo. A gestação do disco ocorreu também durante o hiato da turnê Jota25 — que comemorou 25 anos do grupo e chegou a somar 300 shows em 30 meses — quando o baixista PJ começou a experimentar versões de canções de Tim, como “Estrela do meu Show” e “Acenda o Farol”. A partir destas duas provocações, a banda selecionou e produziu o repertório que viria a compor o tributo.
“Ele [Carmelo] começou a chorar assim que escutou a canção.”
Flausino relatou que Carmelo, filho de Tim Maia e responsável pelo espólio do cantor, se emocionou ao ouvir a primeira regravação apresentada pela banda — a versão de “Acenda o Farol”, que traz vocais originais de Tim num dueto com Rogério.
O trabalho com o repertório de Tim também é aproveitado como uma celebração da trajetória do Jota Quest. O quinteto — com PJ no baixo, Paulinho Fonseca na bateria, Marco Túlio na guitarra, Rogério Flausino nos vocais e Márcio Buzelin nos teclados — sempre se aproximou da black music, distinguindo-se de outros grupos mineiros dos anos 1990.
“Nos seus trinta anos de carreira podemos falar, com certeza, que o Jota Quest é o grupo brasileiro que melhor soube viver o hedonismo pregado pela música pop…”
A afirmação é de Fernando Furtado, ex-empresário do Skank, que enalteceu a capacidade da banda em unir canção popular e soul brasileiro e lembrou que o trabalho com o repertório de Tim Maia teve aprovação da família do cantor.
“A van que levava a gente para o estúdio fazia bicos de transporte de animais. Um dia ficamos cheios de pulga.”
Rogério também recordou episódios da estreia do grupo e das dificuldades iniciais. O repertório do novo disco remete tanto às influências soul quanto aos primeiros tempos da banda, estabelecendo um elo entre a trajetória do Jota Quest e a obra de Tim Maia.

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