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ELEIÇÕES 2026

Jovens quilombolas vão às urnas e ampliam base eleitoral

Eleitores quilombolas cresceram em 2026; jovens e lideranças destacam importância do voto e da proteção dos territórios.

24/08/2026 · 08h36
Jovens quilombolas vão às urnas e ampliam base eleitoral

Na comunidade quilombola Antinha de Baixo, o agricultor Joaquim Moreira, 87, votará acompanhado da neta Thauany, 16, em sua primeira vez. A participação dos jovens vem ampliando o eleitorado para 2026.

No próximo dia 4 de outubro, o agricultor Joaquim Moreira, de 87 anos, da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), fará o caminho até a escola em que vai votar acompanhado de sua neta, a estudante Thauany Silva, de 16 anos, que terá a primeira experiência na urna. Ambos guardam os títulos e se mostram ansiosos para o dia do voto.

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“Sempre votei e vou votar de novo”

Thauany completou 16 anos em abril e, empolgada, foi ao centro da cidade com a mãe para regularizar o título. A mãe, Mayara Silva, de 36 anos, destaca a importância de ensinar os filhos a acompanhar as decisões políticas porque elas interferem no cotidiano da comunidade.

“Não tem como fechar os olhos para o fato que tudo é política”

A adolescente resume a sensação de exercer pela primeira vez o direito ao voto:

“Quando a gente vota, estamos cuidando do futuro de todos nós, né?”

Nas eleições de 2026, o número de eleitores que se identificaram como quilombolas praticamente dobrou em relação ao pleito de 2024. Eram 95.409 pessoas nas eleições municipais e subiu para 188.371 em 2026. Em Goiás, onde vota a família de Joaquim e Thauany, o eleitorado quilombola subiu de 3.625 para 5.394.

A estudante de direito Franciele Silva, de 27 anos, nascida e criada na comunidade de Rio dos Macacos, em Simões Filho (BA), conta que tem o título desde os 18 anos e que o contato com a universidade ampliou seu trabalho de orientação na comunidade.

“Eu tinha muita curiosidade sobre como era votar. Até o ar que a gente respira tem a ver com política. Minha mãe sempre me ensinou a lutar pelos meus direitos e da minha comunidade”

No Nordeste, a quantidade de eleitores quilombolas também cresceu: em 2024 eram 51.633 pessoas e, em 2026, serão 95.901 — mais da metade do eleitorado quilombola do país, segundo os dados divulgados.

A expansão do eleitorado nas comunidades tradicionais é atribuída ao aumento da visibilidade e da conscientização política nesses territórios, avaliação feita pela professora Bia Nunes, pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

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“Nós temos levado as nossas pautas a diferentes espaços e encontramos parcerias.”

“Entender, por exemplo, a importância que os territórios têm para a biodiversidade. É o trabalho que os quilombolas sempre fizeram e fazem”

“As pessoas começam a dimensionar esse trabalho e a entender a importância do voto e de escolher os representantes”

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Bia ressalta que a reivindicação por políticas públicas leva em conta o papel coletivo das comunidades e que o engajamento dos mais jovens é essencial para avançar com titulações de territórios e com proteção às populações quilombolas. Ela também observou o contexto de vulnerabilidade, com pressões e ameaças, e relatou sua experiência pessoal:

“Eu mesmo sou uma pessoa que estou no programa de proteção porque, no ano de 2020, eu sofri uma ameaça contra a minha vida (quando era candidata)”

Para o educador de alfabetização financeira Rafael Costa, de 32 anos, da comunidade Mesquita, em Cidade Ocidental (GO), a maior circulação de informação tem gerado interesse por participação e representatividade.

“Quanto mais as pessoas se informam, mais pesquisam, estudam e passam a ter mais noção da necessidade de políticas públicas, por exemplo”

“A partir do momento que se conscientizam sobre seu modo de vida e de produção, começam também a desenvolver maior consciência política”

“A comunidade está cada vez mais se fortalecendo politicamente”

O crescimento do eleitorado quilombola e o engajamento de jovens mostram uma movimentação que, segundo lideranças e educadores entrevistados, tende a influenciar a cobrança por direitos, proteção de territórios e maior representatividade nos espaços institucionais.

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Na comunidade quilombola Antinha de Baixo, o agricultor Joaquim Moreira, 87, votará acompanhado da neta Thauany, 16, em sua primeira vez. A participação dos jovens vem ampliando o eleitorado para 2026.

No próximo dia 4 de outubro, o agricultor Joaquim Moreira, de 87 anos, da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), fará o caminho até a escola em que vai votar acompanhado de sua neta, a estudante Thauany Silva, de 16 anos, que terá a primeira experiência na urna. Ambos guardam os títulos e se mostram ansiosos para o dia do voto.

“Sempre votei e vou votar de novo”

Thauany completou 16 anos em abril e, empolgada, foi ao centro da cidade com a mãe para regularizar o título. A mãe, Mayara Silva, de 36 anos, destaca a importância de ensinar os filhos a acompanhar as decisões políticas porque elas interferem no cotidiano da comunidade.

“Não tem como fechar os olhos para o fato que tudo é política”

A adolescente resume a sensação de exercer pela primeira vez o direito ao voto:

“Quando a gente vota, estamos cuidando do futuro de todos nós, né?”

Nas eleições de 2026, o número de eleitores que se identificaram como quilombolas praticamente dobrou em relação ao pleito de 2024. Eram 95.409 pessoas nas eleições municipais e subiu para 188.371 em 2026. Em Goiás, onde vota a família de Joaquim e Thauany, o eleitorado quilombola subiu de 3.625 para 5.394.

A estudante de direito Franciele Silva, de 27 anos, nascida e criada na comunidade de Rio dos Macacos, em Simões Filho (BA), conta que tem o título desde os 18 anos e que o contato com a universidade ampliou seu trabalho de orientação na comunidade.

“Eu tinha muita curiosidade sobre como era votar. Até o ar que a gente respira tem a ver com política. Minha mãe sempre me ensinou a lutar pelos meus direitos e da minha comunidade”

No Nordeste, a quantidade de eleitores quilombolas também cresceu: em 2024 eram 51.633 pessoas e, em 2026, serão 95.901 — mais da metade do eleitorado quilombola do país, segundo os dados divulgados.

A expansão do eleitorado nas comunidades tradicionais é atribuída ao aumento da visibilidade e da conscientização política nesses territórios, avaliação feita pela professora Bia Nunes, pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

“Nós temos levado as nossas pautas a diferentes espaços e encontramos parcerias.”

“Entender, por exemplo, a importância que os territórios têm para a biodiversidade. É o trabalho que os quilombolas sempre fizeram e fazem”

“As pessoas começam a dimensionar esse trabalho e a entender a importância do voto e de escolher os representantes”

Bia ressalta que a reivindicação por políticas públicas leva em conta o papel coletivo das comunidades e que o engajamento dos mais jovens é essencial para avançar com titulações de territórios e com proteção às populações quilombolas. Ela também observou o contexto de vulnerabilidade, com pressões e ameaças, e relatou sua experiência pessoal:

“Eu mesmo sou uma pessoa que estou no programa de proteção porque, no ano de 2020, eu sofri uma ameaça contra a minha vida (quando era candidata)”

Para o educador de alfabetização financeira Rafael Costa, de 32 anos, da comunidade Mesquita, em Cidade Ocidental (GO), a maior circulação de informação tem gerado interesse por participação e representatividade.

“Quanto mais as pessoas se informam, mais pesquisam, estudam e passam a ter mais noção da necessidade de políticas públicas, por exemplo”

“A partir do momento que se conscientizam sobre seu modo de vida e de produção, começam também a desenvolver maior consciência política”

“A comunidade está cada vez mais se fortalecendo politicamente”

O crescimento do eleitorado quilombola e o engajamento de jovens mostram uma movimentação que, segundo lideranças e educadores entrevistados, tende a influenciar a cobrança por direitos, proteção de territórios e maior representatividade nos espaços institucionais.

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